quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz 2010!

Goiânia, dia 31 de dezembro de 2009. Duas horas da tarde. Aqui estou mais um dia. O dia tá chuvoso, o clima tá tenso. Me lembro de um dia assim, há uns seis anos. Meu pai me chamou, no auge dos trinta e poucos anos dele, quando o juízo chega, o cara para de fumar, corta o cabelo decentemente, para de ouvir Rod Stewart e resolve dar conselhos. Pois é. 'Vem cá, senta aí'. Eu, guri de tudo, sentei.

Que que você quer ser? 'Sei lá... Quero ganhar dinheiro fácil e aposentar cedo.' Hahá, falando sério. 'Não sei mesmo.' Uhn, beleza. Vou te dar uns conselhos então, enquanto você ainda não sofreu. Nunca se envolva com alguma guria que tem namorado, vai doer e você vai se drogar ouvindo música triste...

...Não tente dar um passo maior que suas pernas, mas as vezes faz bem cair, levantar faz parte do processo. Não tente roubar um banco, a menos que esteja bem preparado. Aliás, tudo na vida é isso, é o cara estar concentrado, focado, preparado. Não se envolva com ninguém sete anos mais velho que você, e JAMAIS, em hipótese alguma, beije uma garota de programa.

Eu fiquei sem entender algumas coisas, mas tudo bem, catei um taco, uma bolinha e fui jogar bete. Eu era bom nisso, hein? Hoje eu entendo o que ele quis dizer com estar focado, concentrado, preparado. Eu não vou perder o foco. Vou deixar de seguir um dos conselhos dele, mas seguindo outro. E levantar faz parte do processo.

Bom, sendo assim, o Monta's deseja a todos vocês um feliz 2010, cheio de paz, amor, alegrias, saúde, harmonia, tudo de bom mesmo, e não se esqueçam dos conselhos do meu pai. Ele é um sábio. Semana que vem eu volto, relembrando as previsões. E ah, volta logo?


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Todos iguais.





Uns mais iguais que os outros.

Ouvindo pampa no walkman.




Sinto muito, Luz.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Feliz Natal!

'... dizia ele que lá por aquelas bandas do imortal havia uma garota linda, loira, de óculos, linda mesmo, que não dormia sem ler o Jornalistas do Hawaii...'



Feliz Natal a todos aqueles que, escrevendo, lendo ou sendo inspiração para os textos, fizeram parte desse blog. Que Deus nos abençoe.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Eu queria ser você

'São Paulo, capital. Um calor do cão, um frio de rachar. Dezembro, mais frio que o normal. E o calor sobe até a garganta e volta até o ventre. Maldita saudade. No som do carro toca Rita Lee. Quinta marcha. Piso fundo, como se pisasse na vontade de te ver. Mas não adianta. Aumento o som.

Como boa moça de família, paro na primeira distribuidora porca e suja e compro um maço de cigarros baratos. Maço azul, de papel 'vagabundo'. Isqueiro laranja. Quero exigir mais de mim, quero me queimar e aprender sozinha a fechar minhas feridas. Quero acabar com a imagem de menina que assiste três espiãs demais.

'Todo dia ela faz tudo sempre igual...' Entro no carro e ouço alguns disparos, longe longe, ali do lado. Aumento mais ainda o som, deixo o carioquês de Chico Buarque invadir meus tímpanos e tentar lavar meu cérebro. Minha cabeça não está aqui. Preciso parar o carro de novo. Posto de gasolina. Martini. Viro tudo, deixo cair no vestido listrado. E no All Star bege. Bege e vermelho, vermelho como o sangue que corre nas veias e me faz viva. Viva como as flores murchas.

Volto pra casa com a vontade de arrebentar essas algemas, de soltar minhas asas e voar ao seu encontro. O tempo parou, feito fotografia. Odeio a Tudos e ao todo, mesmo não conseguindo odiar ninguém. Sonhando como há muito não sonhava. Outra vida é possível. Mas será que é inevitável? Minha cara embriagada no espelho do banheiro.

Será que sou tudo isso que ele acha que eu sou? E será que ele me quer de verdade? Ou será só uma vontade? Como passam as vontades... Que voltam no outro dia. Hora dessas eu queria estar na pele dele, só pra saber como se sente, como está, com quem está. Eu fui sincera como não se pode ser. '



Se estivesse no meu lugar, erraria tudo exatamente igual. É de verdade. Acredite. Pague pra ver.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Amável Alice.


Quarta feira, numa dessas capitais de alta densidade urbana, sete e meia da noite.


O ano? Dois mil dez e alguma coisa.


Já vem a noite de um dia comum de primeiro semestre, chegado cedo e rápido. Não são nem oito horas e já está completamente escuro. Olho para baixo e vejo carros, atolados em pequenos engarrafamentos, as luzes dos primeiros letreiros nas suas primeiras horas, buzinas e aquele cheiro nauseante de fumaça de automóveis. Ônibus lotados e pontos cheios. Luzes por todos os lados. Camiseta larga e velha do AC/DC, só de calcinha. No som tocando Beethoven.

Um dia chato pacaralho, acordar cedo, faculdade, trabalho, voltar pra casa e ter a companhia da minha própria solidão. Olho para a minha tatuagem do braço direito, penso em conversar com ela. Acho melhor não. Olho para o céu, as estrelas paradas, não estão em movimento e não estão voltando do trabalho. Vou até a prateleira e pego um dos meus álbuns prediletos, dos Beatles, the Magical Mistery Tour. Coloco pra tocar. Tiro a camisa, apago a luz e deito no chão do meu apartamento e apenas escuto a viagem mágica de alguns gênios de 50 anos atrás.

Algo me chama. Me levanto, vou para a prateleira da minha cozinha, pego a maconha, preparo para uso, enrolo o cigarro e novamente me deito no chão da minha sala. O ambiente é perfeito, uma velinha pseudo intelectual acesa ao som de "Blue Jay Way ". A psicodelia já começa a me envolver e a tomar conta de mim. O som místico que vai e vem já começa a tomar conta de mim antes do efeito da droga. Mas mesmo assim acendo, apago a vela e dou a primeira tragada. A melhor.

Meia hora já se passou e ainda estou no chão do meu apartamento. De repente sinto uma grande explosão de energia no meu ventre e um aparente formigamento começa em minha espinha. Não consigo sentir a minha boca. Viro para o lado no chão e mudo o álbum no som, acho que vou ouvir Sgt.Pepper's. Vou direto para Lucy in the Sky with diamonds. Não há barullho de carros lá fora, não há roupa nenhuma prendendo meu corpo, não sinto minha boca, uma explosão energética desce pela minha medula 3 vezes por segundo. Me envolvo na atmosfera também mágica dessa música atingindo o ápice no refrão. Começo a dançar de forma esquisita, mesmo mole, dopada no chão.

Mas aí algo corta meu barato, uma luz no meio da escuridão de um celular vibrando ao som de Engenheiros, minha paixão de adolescência. Pensei que era meu editor confirmando a pauta de amanhã, mas era meu ex namorado. Não atendo. Passam 30 segundos chega a mensagem: 'Pô Alice, não vai atender mesmo?'


Próxima música, agora já não sinto minhas pernas. Volto para a segunda música do Sgt. Pepper's. E encho o apartamento ao som de minha voz, sem contas, sem poluição, sem politicamente correto, sem amor. Como uma represa turbulenta que de repente as águas se acalmaram. E canto: 'I get high with a little help from my friends!'

Não, não vou atender.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Eu me perdi...

Buraco no meu tênis preferido, crédito do celular, passar na matéria da Ângela, passar a camisa pra ir no aniversário do Jardel, consertar a lapiseira da Munique, lavar meu boné preto, comprar outra mochila, ex daqui de perto, pagar a faculdade, depositar o dinheiro pra minha avó, tirar os morangos da geladeira, comprar tinta pra impressora, buscar a nota do inglês, ex lá do Portal, trocar o refil do odorizador, ligar pra minha tia, anotar o endereço que ela falar, convencer ela de que deve terminar...

Pego a camiseta cinza, o boné azul e saio rumo a mais uma caminhada na tentativa fracassada de perder essa barriga 'fofa'. Costumo caminhar em um parque, aqui perto de casa. Grama, árvores, ar puro e bosta de cachorro. Digno. Vejo um macaco. Desses pequeninos, cabe na palma da minha mão. Ele não tem que se preocupar com nada disso aí de cima. Salta na santa paz de Deus, em meio ao mais perfeito caos. Acho que eu queria ter nascido macaco. Seria mais fácil.

Veja só como são as coisas pra esse animal: Ele quer sexo, ou precisa de sexo? Procura uma macaquita no cio e pronto. Tem dezessete filhos e não tem que pagar escola e nem comprar biscoitos recheados pra nenhum deles. Não tem que aguentar a Regina Duarte na TV. Ele sente fome? Jamelões, goiabas, mangas e amoras a sete ou oito saltos daqui. Sim, eu queria ter nascido macaco. Lutar por comida, e só. E nós lutamos por mais o que? Isso por que ainda não sou casado.

Prestação do apartamento, levar o filho mais velho pra escola, deixar recado na portaria, reunião de pauta, puxar o saco da patroa, vender minhas ideologias, deixar a minha filha no balé, marcar dentista pra esposa, olhar o que é o barulho na geladeira, comprar 2 pneus pro carro, Epocler, Cialis, deixar o guri mais novo na creche, como a Palestina, lutando pra sobreviver. Me perdendo na selva de pedra. Eu queria ter nascido macaco. Maldita evolução.

Mas quando olho no fundo dos seus olhos e vejo os meus, mesmo que você esteja chorando, tentando não chorar ou usando um vestido, um colar ou luvas horrorosas, todos os problemas passam a ser do tamanho de uma amora. Você me motiva, me faz ter vontade de ser o que sou. Você me entendeu?

'Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar que me acalma
Me traz força pra encarar tudo
O amor é maior que tudo, do que todos, até a dor

Se vai quando o olhar é natural
Sonhei que as pessoas eram boas
Em um mundo de amor
E acordei nesse mundo marginal'



quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Dom Quixote


Tava tomando uma gelada com um amigo e conversávamos sobre o blog. É óbvio, esse blog. Quanto mais álcool entra em nosso corpo (via oral, ui), mais sinceridade escapa de nossa boca. 'Ô Monta's, você sempre foi um sujeito engraçado, vive gozando com (não na) cara dos outros, mas lendo alguns de seus posts, percebi que você ficou mais chato que um taxista', disse-me ele. Como ele é que estava pagando as brejas, escutei calado, sem reclamar. No fundo e no raso, ele tá certo. Estou ficando chato. Ranzinza. Pelo menos careca não. Mas será que uma dose de insatisfação e umas gotas de infelicidade são tão ruins assim?

Olha que ano desgraçado: O diploma caiu. O Fluminense não. O Atlético subiu. O Vila não. Zé Bob ídolo. Minha patroa me largou. Álcool. Engordei 12 kg. Quem eu quero ainda não posso ter. Claro, minha vida medíocre resume-se a isso. Mas, tá vendo? Se der uma chuva de CA cai o Banjo na minha cabeça. E eu ainda tenho que ser feliz?


“Viver insatisfeito, em luta contra a existência, significa empenhar-se, como Dom Quixote, bater-se contra os moinhos de vento, condenar-se, de certa forma, a viver as batalhas travadas pelo coronel Aureliano Buendía, em Cem Anos de Solidão, sabendo que as perderia todas. Isso é provavelmente verdadeiro; mas também é verdadeiro que, sem a revolta contra a mediocridade e a sordidez da vida, nós, seres humanos, ainda viveríamos em condições primitivas, a história teria acabado, não teria nascido o indivíduo, a ciência e a tecnologia não se teriam desenvolvido, os direitos humanos não teriam sido reconhecidos, a liberdade não existiria, porque tudo isso nasceu de atos de insubmissão contra uma vida percebida como insuficiente e intolerável.”

Te cuidem, em 2010 continuarei o mesmo gordo chato de 2009. Ou não. Depende da...

O amor fede


Podia ser um dia qualquer dentro de um ônibus qualquer. Mas não foi. O ônibus passou mais rápido que o normal. E o dia, desde quando acordei, me fazia ter vontade de escrever algo, compor uma música, dirigir um filme. Era daqueles dias que eu poderia ficar horas em frente à pintura pálida “A vida” de Picasso, fumando meu cigarro e escutando “I Know it's over” do The Smiths.
Tinha algo que me martelava há semanas, uma pergunta que deve fazer parte da crise de meia-idade: “O que é o amor?”, não o amor entre pais, filhos ou amigos. Era um amor específico. O amor entre um homem e uma mulher. O amor que faz você querer passar o resto da sua vida com ela. Supermercado. Cinema. Almoço de domingo. Filhos.
Entrei no ônibus, essa pergunta ainda martelava em minha cabeça. Comecei a achar que aquilo que eu chamava de amor, era apenas uma paixão, algo intenso com data de validade, nada mais que isso. No ônibus tinha um casal feio. Eram feios mesmo, os dois. Ela descabelada, ele desarrumado. E um odor pairava nos ares do ônibus. Era vômito. A moça feia descabelada tinha acabado de vomitar, tinha pouco tempo, talvez um ponto antes do meu. O cheiro ainda estava forte, uma pessoa de estômago fraco teria feito o mesmo quando aquilo invadisse suas narinas, vomitaria em cima do vômito da feia descabelada.
Fui mais para trás, fiquei olhando os dois, observando. O cara era carinhoso com ela, ela com ele. Não sei o porquê, mas aquilo parecia ser realmente sincero. Ela acabou de golfar em um ônibus e o cara lá fazendo ela se sentir a mulher mais linda do mundo. Especial de verdade. Os olhos dela diziam isso. O sorriso dos dois era como um "eu te amo" sem pronunciar uma única palavra. Que por sinal, falaram poucas coisas um ao outro. Mas a impressão que eu tinha que até um “vamos ao supermercado” soaria como uma declaração de amor entre os dois. Aquilo sim deveria ser amor. Era intenso, mas não como a paixão. Na paixão não cabe tanta sinceridade como essa.
Aquilo era amor, e o cheiro do vômito ficou ligado a isso. E passou a ser algo agradável. Um cheiro bom, que me lembra aquele casal. O que era nojento se tornou agradável, o agradável que me lembra o amor. Toda vez que sinto esse cheiro me lembro do amor. Talvez essa seja uma das façanhas do amor, mudar as coisas, dar novos significados a vida. O que me restou foi chegar à conclusão que o mais perto que cheguei dele foi quando pulei o vômito daquela mulher no ônibus.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O velho sanfoneiro das bandas do imortal.


E numa dessas esquinas ordinárias das grandes cidades eu vi ele. Velho sanfoneiro, poeta silencioso das esquinas vazias lotadas de vidas banais. Talvez sua poesia silenciosa seja silenciosa porque o mundo de hoje não tenho valor o bastante para escutá-la. Talvez a poesia dele seja silenciosa porque grita por dentro.Talvez não.


Por anos ele ficou lá. Escutei o som solitário e melancólico de sua sanfona no dia em que recebi uma promoção do trabalho. Escutei no dia em que conheci minha esposa, que meus filhos nasceram. No dia em que o salário que era grande se tornou normal. A esposa que era linda, também se tornou normal. Os filhos, cresceram. Os anos, passaram. E o velho lá. Já havia perdido em muito o frescor da juventude e apontavam em minha barba por fazer os primeiros fios brancos. Minha esposa já não era a mesma e se tornou distante. Era um estranho em minha própria casa. Simplesmente de repente tudo perdeu o sentido. Foi uma questão de tempo o casamento se desfazer. As filhas já grandes foram morar com a mãe. Perdi a vontade de trabalhar e larguei meu emprego.

O apartamento que era tão pequeno agora era grande, sento na mesa para fumar um cigarro e vejo um jornal de dois meses atrás. A barba já grande há muito sem fazer o cabelo que já perdeu completamente seu corte. Escuto o barulho dos carros lá fora e vejo um céu cinza ao fundo em plena segunda feira. O rádio tocava uma música qualquer. Percebo que é o último cigarro do maço. Olho para o cinzeiro grande e conto as moedinhas que tem ao seu lado. Faltam um real e 25 centavos. Vou ao cesto de roupas sujas e pego no bolso da calça que usei duas semanas atrás.

Vou a padaria da esquina. Marlboro, vermelho. Não tem troco. E passo pelo velho sanfoneiro e olho para ele, escuto sua música. É uma música que castiga. É como se um reflexo da minha juventude, do meu terno e do meu cabelo molhado com gel, da minha esposa linda com 25 anos, das minhas filhas pequenas passando de bicicleta por aquelas calçadas pulassem em mim, me sufocando e gritassem: Velho fracassado! Olho para o outro lado da rua e me vejo com 23 anos suado voltando de uma corrida olhando para mim velho, aquela barba por fazer branca deprimente, fedendo cigarro com roupas amassadas. O seu olhor de desprezo me consome e atropela cruelmente.

E a música, a música que nunca parou do velho sanfoneiro de repente para. E o velho olha pra mim. Trocamos um olhar intenso por alguns instantes. Eu não falo com ele e ele não fala comigo. Hei, você, peça uma música. E respondo: As músicas que quero ouvir você não sabe tocar. Então o velho ri com desdém e não diz nada, apenas. E novamente a sua música entra gelada como o vento da madrugada pelos meus ouvidos provocando um arrepio de dor pela minha espinha, uma dor na garganta e uma vontade enorme de chorar. Sinto pena de mim mesmo e a da figura reduzida de mim mesmo que me tornei.

O velho percebendo as minhas lágrimas começa a conversar comigo. Me conta da sua vida. Filho de imigrantes desde criança se apaixonou pela sua sanfona. Escrevia as suas poesias de amor da juventude nas notas musicais. Sempre muito admirado em sua cidade não se bastou e resolveu dar seguimento a sua condição eterna familiar de forasteiro. Ganhou a capital, o país. Viajou muito e embalou suspiros utópicos de toda uma juventude. Um dia também foi jovem e sonhava em mudar o mundo duas vezes a cada segundo que passava.

Um dia a juventude passou, seus ouvintes cresceram, os muros caíram, os impérios declinaram e outros ascenderam. Seus amigos já não tocavam com ele. Então ele não quis se vender para a música que tanto amava e era a essência mais profunda de sua alma. Preferiu tocar sanfona em uma esquina qualquer, nessas grandes cidades no pequeno dia a dia. Preferia desaparecer na instrospecção de seu amor do que consumí-lo em vaidades. Então eu perguntei: Em qual banda você tocava?
Nas bandas do imortal.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

E o tempo está no pensamento




Chego em casa. São sete e quinze da manhã. Completamente cansado, mas sabendo que dificilmente conseguirei dormir. Mesmo com chuva. Eu tô com os pés no chão e a cabeça lá na lua. Na rua, na lua, na nasa, em casa. Menos no sono. Meus calcanhares doem como se eu carregasse o mundo nas costas. Eu me deito e não consigo mais me levantar. Puxo um caderno, uma bic azul e começo a escrever bobagens.

'São Paulo, 14 de dezembro de 1977. Escrevo essa carta com a intenção de mostrar a quantas anda minha vida de casado. A quantas anda minha vida fora daí. Não sei por onde começo... Talvez pelo princípio.

Quando me referi a vida de casado, não foi uma reclamação, muito pelo contrário. Acordo todos os dias pensando nela e motivado por estar casado com alguém que eu ame tanto. E quando eu vejo o narizinho dela furando o vento frio de Sampa, me arrependo de não ter me casado com ela antes. Mas talvez eu tivesse perdido uma fase da minha vida. Mas... É, sim, estou feliz.

Mudei de casa! Agora moro na Santo Agostinho, perto do Palestra. Ótima casa, portão branco, de grade, lado da sombra, jardim de inverno, lavanderia, garagem... Taco nos quartos, esquadria de alumínio anodizada... Muito boa. Ah, e a garagem agora é preenchida por um Corcel 73. Amarelo, em bom estado. Eu queria mandar fotos, mas demoram semanas para ficarem prontas. Não consigo entender essa demora. Acho que nasci em época errada. Ou que apareci em época errada.

Bem, é isso. Abraço a todos, mandem notícias, e já sabem que podem (e devem) vir me visitar, em breve. Envio-lhes também o disco 'Meus Caros Amigos', do Chico Buarque. Acho que vão gostar. Saudades, fiquem com Deus. '

Pego as bobagens que escrevi com a bic azul, amasso e jogo pela janela. Na chuva. Sinto a ferrugem, telefone continua calado. Vou buscar um whisky e alimentar mais ainda minha solidão. Eu vou acordar o vizinho, eu vou riscar os corpos, eu vou te telefonar e dizer que eu só preciso dormir. O telefone só toca quando a mente fantasia. Puxo um cinzeiro e...

...Penso em você como há muito não pensava em alguém. Talvez perca o emprego, talvez a sua resposta seja não. Mas eu não me importo. Só quero ter você do meu lado. Eu sei que não é sempre que a gente encontra alguém que faça bem e nos leve desse temporal. E eu quero mesmo que você jogue tudo pro alto. E se cair, eu te seguro. Quando o olhar é natural... Não há como evitar.


domingo, 13 de dezembro de 2009

Teclado Estragado

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Outros Tempos


Quando te vi
tive a impressão de que não era a primeira vez
quando te vi
tive certeza de que não seria a última vez
não, não seria a última vez


?Quem vem lá? quem será?
que passa como um filme
na fumaça de um bar
?quem vem lá? quem será?
que vai me salvar a vida outra vez
vai fazer de novo o que nunca fez


Os tempos são outros
os erros, os mesmos
me diz como é que eu faço
me diz como é que eu posso
te encontrar mais uma vez


Os tempos são outros

os erros, os mesmos

me diz como é que eu faço

me diz como é que eu posso
te encontrar
mais uma vez pela primeira vez




(Humberto Gessinger)

sábado, 5 de dezembro de 2009

A prostituta assassina.


Uma vez quando eu tinha por volta de uns 20 e poucos anos fui no Mato Grosso comprar um gado pro meu pai. Cheguei na cidade com a minha caminhonete suja emplacada de Goiás, chapéu na cabeça e um 38 na cintura. Antes de mais nada parei na primeira praça e perguntei pra um velho caboclo aonde que era o melhor puteiro da cidade. Fui no dito puteiro, paguei as melhores pra todos os meus companheiros e cachaça a vontade pra todo mundo encher a cara. Enquanto todos se divertiam embrigados eu apenas ficava sentado na frente da máquina de música fumando meu palheiro e ouvindo meu modão enquanto a peãozada fazia a farra.

No outro dia bem cedo fomos buscar o gado na fazenda e o dono da fazenda que tinha fama de ser o dono da região, me chamou pra entrar e tomar um café visto moço de família que eu era. Sabe como é, gente como não se faz mais hoje em dia. Me apresentou suas 3 filhas e sua esposa. A mais velho tinha 20 e poucos anos e tinha acabado de voltar pra roça daonde tinha saído novinha pra estudar na cidade. Falava não sei quantas línguas e tinha lido todos aqueles livros e ouvia aquela música daquele povo que eu não sabia o nome. Fiquei impressionado. Rapaz do céu, nunca tinha visto um trem bonito daqueles.

Não me deixando espantar pela fama de brabo do pai dela, visto que eu não tinha medo de nada que respirasse nesse mundo e que meu revólver não pudesse furar fiquei mais uma semana na cidade e mandei um peão avisar a moça que na sexta feira quando o pai dela viesse pra cidade ter com a sua amante eu ia entrar na casa dele e levar ela comigo. Recado dado. Sexta feira chegou e no silêncio da madrugada chego na porta da casa da moça e ela já na porta me esperando de mala e cuia. Do mesmo jeito que chegamos saímos da cidade eu e a peãozada e as vacas todas encaminhas pra Goiás.

Assim que cheguei a desgraça chegou na frente e meu pai vem possuído de raiva falando pra eu devolver a moça antes que o pai dela viesse buscar ela na bala, que pela boa fama da minha família ainda não tinha feito. Então eu pego no meu revólver e falo, só levam ela se me levar morto junto. Então meu pai sem outra opção toma o meu lado. O casamento segue sem a benção da família da moça e construímos uma casa na nossa fazenda. A pele branca dela com a minha pele queimada do sol. O seu perfume da cidade e o cheiro do meu palheiro.

Não tem remédio melhor nesse mundo que o tempo rapaz. Não é que no final das contas a família dela acabou aceitando e de vez em quando até escrever a mãe dela escreve. Mas o pai dela nunca mais ligou nem deu sinal. Ô velho ruim da desgraça. Coração mais seco que pau velho. Acabou morrendo sem nunca mais falar que a filha, com esse desgosto pra eternidade. Criamos ali nosso filhos e fui engordando as vacas que meu pai ia me dando e com o tempo já tinha meu rebanho. Tinha um filha linda igual a mãe e no dia de aniversário de 13 anos dela fizemos uma churrascada pra peãozada e um peão bêbado deu a se engraçar com ela e ali mesmo fiz questar de dar uma surra no caboclo. Filha minha não era pra qualquer peão não.

Mandei ela pra cidade aonde ela cresceu e estudou feito a mãe. E ela voltou pra roça. Assim que ela voltou um rapaz do Tocantins veio assuntar uns negócios comigo, veio uma, duas, três vezes. Comecei a estranhar a repentina amizade do sujeito. E não é que um dia pego ele de conversa fiada com minha menina. E já falou pra ele na frente dela; Escuta aqui rapaz, já vô logo te avisando que minha filha não é pra um merdinha igual você não e se duvida te boto provo na bala vagabundo.

O rapaz calado humildemente pediu desculpa, tirou o chapéu e simplesmente saiu. Minha filha também calada se retirou para seu quarto. E eu fui dormir. Chegou a notícia pra mim que um peão meu tinha levado um tiro numa briga de bar na cidade e fui lá socorrer o coitado. Chego de volta na fazenda horas depois e minha mulher chorando na porteira que a menina dela tinha ido embora fugida com o peão desaforado, que entrou na casa na frente dela e levou minha filha, que não teve coragem de olhar na cara da mãe. Então jurei pra Deus e pro Diabo que nem que fosse no inferno no pé do capeta buscaria o filho de uma puta e mataria ele.

Dito e feito por quase um ano eu e meus peões de mais confiança buscamos o maldito e fomos achar ele amuado com a minha filha em um ranchinho de beira de rio lá perto do Rio dos Bois. E isso só foi possível porque um peão entregou o paradeiro deles sabendo da cabeça a prêmio. Assim que cheguei não me fiz de rogado e nem causei efeito algum. Sem pensar duas vezes e sem olhar na cara de minha filha já meti um, dois, três, quatro e mais tiros no peito do caboclo. Antes mesmo que ele pudesse dizer alguma coisa. Peguei minha filha pros cabelos sem olhar na cara dela e levei ela de arrasto de volta pra nossa terra. Passado uns meses o pai do moço mandou uns peões e recebemos eles na bala também. E fui no Tocantins e matei o velho.

E não é que a menina tava grávida? E uma noite quando tava com uma barriga duns 5 meses fugiu na calada da noite. Com um peão velho da fazenda. Se passaram um ano, dois, três, Dez e ela nunca voltou. Com o tempo minha mulher que nunca renovou seu desgosto da perda da filha e se cansou das minhas putarias voltou pra fazenda da família enquanto minhas outras duas filhas voltaram pra capital. Estava sozinho. E um dia comprando gado lá pro Norte do Mato Grosso fui levar a peãozada para a putaiada de costume e cachaça e encontro o maldito do peão que fugiu com a minha filha. E mais manso que era devido ao tempo passado lhe pergunto apenas se ele sabia dela, ele disse que ela teve uma filha, que morreu ainda criança picada de cobra no pasto.

E ele acabou largando dela e a última notícia que tinha é que ela tinha virado puta e tava pras bandas de Rondônia. E fui lá procurar ela. Velho já sentado com meu chapéu fumando meu palheiro a achei, saindo de um quarto semi nua fumando um cigarro com um peão cheirando cachaça a cinco metros . Era sem dúvida a puta mais bonita do puteiro. Então um fazendeiro com pinta de rico chegou e tirou ela do puteiro nos tapas e murros. Um murro no seu nariz que o sangue desceu me bastou.

Antes que ele sacasse sua pistola dourada meti três tiros em seu peito. E olhei nos olhos dela, a deixei bêbada ensanguentada no chão e saí. E antes de abrir a porta da caminhonete, fui acender meu último palheiro. Quando acendi, traguei, senti o estalo e aquele gelo descendo pela minha espinha. Caio no chão com sangue pela boca e vejo a minha filha com a pistola dourada, mirada pra mim, com os olhos borrados da maquiagem de puta e lágrimas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Bons sonhos.


A música? Wish you were here. Já ouvi dizer por aí que saudade é uma das palavras mais difíceis de serem traduzidas da língua portuguesa. O culpado? Um sonho cruel. Sonhos são realmente algo bastante enigmático. As vezes tiram o sono e a tranqüilidade. As vezes são arrepiantes. E as vezes são cruéis.


Todas as sensações resgatadas, o perfume, o jeito de falar e as emoções. E o pior é quando esse sonho não é sobre o que passou, mas sobre o que poderia se passar. Uma paixãozinha boba juvenil que traz as melhores sensações. Sentir aquele perfume, escutar determinadas músicas ou determinados hábitos, há muito esquecidos, é a mesma coisa que mergulhar de volta naquele romancezinho praticamente infantil. Mas a sensação é ótima. Para isso nada melhor do que o sonho.


Acordo e percebo que muitos anos se passaram e eu mal sei por onde você anda.Na verdade somos praticamente estranhos e não há nada que possa ser feito. Olho o seu perfil no orkut, sei que você não é tão bonita mas eu ainda te acho linda. Abro aquele álbum escondido no meu computador com as suas fotos mais belas embalado pela sensações relembrados pelo sonho de quase 1 dia atrás já. Olho para o meu criado do lado da cama e uma carta sua que fica jogada por aí insistindo em não se guardar desde que foi escrita anos atrás. Não sei porquê. E a música claro, wish you were here.

É realmente saudade é difícil de traduzir. Eu mesmo gastei esses poucos parágrafos.
Fico contente por ter me lembrado, essas lembranças sempre voltam ocasionalmente. Faz parte. Sensações que se foram, porém bem presentes e bem vivas. Nada tristeou nostálgico. Apenas a agradável e feliz lembrança de alguém que já se gostou muito.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Amor e Sangue




Após seis anos de casado, resolvi me divorciar. Na verdade ela resolveu. E isso já faz um ano. Continuávamos nos vendo, como um casal de namorados que transa escondido dos pais da menina. Assim que nos separamos, ela começou a namorar um cara aí. Babaca. Guitarrista. Tudo o que eu não era. E não sou.

Yara, 32 anos. Minha ex-esposa. Uma mulher atraente, bem atraente. Loira, estatura média. E na cama éramos como chave e cadeado, se é que me entende. Nascemos pra cruzar. Perfeito. Talvez por isso continuávamos nos encontrando.

Nos víamos sempre as quartas-feiras a tarde, quando eu tinha folga na delegacia e ela no fórum. Íamos pro apartamento dela e mal abríamos a porta, porque o desejo era mais intenso e muito mais forte que a gente. E num desses encontros aconteceu.

Quarta-feira a tarde. Saio da delegacia e vou para a casa dela, como de costume. Ela já está lá em cima. Tenho a cópia da chave, abro. Entro no quarto, decorado com círculos laranjas. E ela está nua, me esperando. Tiro a camiseta, a ponto 40 da cintura e coloco sobre o criado mudo. A camiseta enrolada na pistola. Uma. Duas. Sem tirar.

Termino e me sento na cama. Talvez para descansar, ou para pensar. Ela continua deitada, com os olhos semi-cerrados. Visto a camiseta branca com as letras PCGO bordadas logo abaixo do peito. Vejo a maçaneta girar e ouço um estampido que me deixa quase surdo. Minha barriga começa a formigar. Uma poça de sangue encharca minha camisa e Yara, ainda nua, grita.

Sempre pensei que a morte fosse mais interessante. Ou pelo menos mais digna. O sangue não é vermelho como nos filmes e levar um tiro não é tão doloroso. Ouço um 'vagabunda!' e vejo um barbudo cretino apontar a arma pra ela. Por impulso, pego a pistola com o braço trêmulo e aperto o gatilho com força, e repito o movimento com o dedo. Sete tiros, tudo o que tem no pente. O namorado dela cai, morto. Atrás dele, vejo a porta branca com respingos de sangue. Olho pra Yara e fecho os olhos.

Acordo em uma sala branca, fria. Toda azulejada, parece o IML. No meu dedão do pé não tem etiqueta, acho que ainda estou vivo. Minha bunda está gelada. Ainda bem. Minha barriga dói. Olho e percebo pequenos pontos fechando um furo do tamanho de uma azeitona. Pouco acima do umbigo. 'Oi, já acordou? Como se sente? Seu Luiz, visita pro senhor.' Uma enfermeira ruivinha, deve ser estagiária. E a visita é o Celso, meu amigo lá da DPIJ.

- E aí Steve, queria morrer? Comé que cê tá?


- Tô bem, vou morrer é depois que eu sair daqui, o desgraçado é filho de promotor. Cadê a Yara?


- A Yara? Assumiu o assassinato.


- Como assim?


- Ela deu depoimento falando que foi ela que atirou. Tem digitais dela na arma e ela disse que você tava desacordado quando ela pegou a pistola e matou o cara.


- Porra.



Eu daria a vida por ela. E ela se sacrificou por mim. Porque ela é o grande amor da minha vida, e isso só acontece uma vez. Divórcios podem não significar nada.



sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Um filho e um cachorro




Goiânia 2018,



Despertador. Música 'Vejo Tudo', novo sucesso dos Engenheiros do Hawaii na formação GLM. Gessinger, Leindecker e Maltz. Dia frio na capital. Café. Cigarro. Dunhill. O antigo Carlton. Do meu celular, abro minha caixa de e-mails. Um do Plínio Lopes, meu amigo dos tempos de faculdade. Maluco ele. Tá lá na Inglaterra, cobrindo a Copa. Minha esposa está grávida. De novo. Não pude ir.

Ele me conta como é o ar de Liverpool, as cervejas, os cigarros, as pessoas. Me fala de como Alexandre Pato é um cara humilde e exerce uma liderança ensinando os mais jovens. Neymar está contundido, fora da estreia contra a Bélgica. Me pergunta ainda a quantas anda o processo separatista da República Farroupilha, que finalmente vai sair do papel. Pedro Malta está lá, pela Veja. E me conta dos seus problemas amorosos. De seu encontro.

É incrível como dez anos se passaram e a velocidade em que as coisas mudaram. Dez anos atrás eu postava aqui frequentemente. Hoje em dia, posto uma vez por mês e olhe lá. Sou pai de um filho, tenho um fox terrier que se chama Gil. Me casei durante a Copa de 2014 e perdi a final. Não vi o acesso do Vila por causa de uma dengue. Meu filho nasceu em 2015 e não vi a final da Copa do Brasil entre Goiás e Portuguesa. Vida medíocre, classe média pequena burguesa urbana. Eu vivo uma vida classe média pequena burguesa urbana.

Telefone toca. Luís Gustavo, o Negão. Seguro do meu carro é com ele. Carro do ano, apartamento no Bueno. Mas ainda me falta alguma coisa, sabe? Engrosso o coro dos contentes, me contento em ser banal. Sento no sofá da sala e puxo um cinzeiro, presente do Rafael Rabelo, lá da Placar. Acendo um cigarro. Ouço meu filho chorar. Vou ver o que é. Paro de frente o espelho e vejo uma barba que há dez anos era sonho. E ela tem fios brancos. E sabe qual é a utilidade dela? Nenhuma. Me sinto como num comercial de margarina. Me chamam de tio no elevador.

'Meu bem, vou sair. Me espere que eu volto pro almoço.' Vejo tudo claramente, com meus óculos de grau. A realidade cor-de-rosa fica embaçada. Uma vontade de pular daqui de cima. Despedir o meu patrão. Pagar por minha felicidade. E era o Plínio que se considerava medíocre dez anos atrás. Vontade de sumir e quando voltar ver meu guri formado. Mas não posso. Preciso viver esses quinze minutos de eternidade.

Porque a vida não é uma história em quadrinhos.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Norwegian Wood ( This Bird Has Flown )


Você é linda. Talvez você seja tudo que eu sempre procurei e me fez feliz de uma forma diferente. Mas sei lá, não tá rolando. Essa vidinha básica de classe média pequena burguesa urbana me incomoda. Ficar preso em lugar só. Talvez eu volte, talvez não. Muito provavelmente você não irá me esperar. Acho que o meu caminho é pra ser seguido sozinho. Parece que tudo é sintético, de plástico. Não sou o cara pra segurar sua mão na fila do cinema. Mas sabe como dizem por aí, as flores de plástico não morrem.


Liverpool 2018,


Engraçado, eu sentado aqui nesse pub, sozinho. Ao meu lado vejo uns jovens bêbados, tipicamente ingleses comemorando a vitória do Liverpool na Champions League. Cheguei uns meses mais cedo para cobrir a copa que se aproxima. É tão emblemático estar aqui. Não sei o que tem nessa cidade que sempre me atraiu. Titanic, futebol copeiro, Beatles e Pink Floyd. Acho que é o bastante pra uma cidade me seduzir. Esse bilhete de despedida que tenho decorado não sai da minha cabeça. Escrito quase 10 anos, faculdade e aquela coisa toda. O Goiás ainda não tinha sido campeão Brasileiro, o blog não era famoso e sequer sabíamos o que seria de nossas vidas. E então nunca me dei o direito de achar que sairia alguma coisa que prestasse de mim. Sabe como é, essa vida é curta demais.

Esses dias foi aniversário do blog, 10 anos já! Então numa atitude um pouco fatalista escrevi esse bilhete e nunca mais nos vimos. E 10 anos depois não encontrei outra pessoa que amasse da mesma forma. Ouvi dizer por aí que ela se casou, tá até pensando em ter um filho. Não sei valeu a pena. Já diria um de nossos poetas prediletos que tudo vale a pena se a alma não é pequena. Mas o fato é que abri mão de tudo. E conheci muito coisa. Caminhos distintos.

Não tenho o menor problema em postar tudo isso aqui, duvido bastante que sequer ela leia o blog. E de repente quem entra ? Ela entra acompanhada de seu marido, com uma pequena barriga, deve ter uns 4 meses. Um pequeno passeio pela Europa. Ele sequer me conhece, mas parece ser bastante amoroso com ela. Ela sequer olha pra mim. Não sei se vou ao seu encontro. De repente não sei de nada mais. Por mais de uma hora dividimos o mesmo ambiente. Ela parece ser incapaz de reconhecer minha presença.

E isso parte o meu coração. Penso que poderia ser eu ao lado dela. Que o filho poderia ser meu. E o que tenho eu? Sozinho, Sozinho e Sozinho. Quando olho novamente ela não está ao lado de seu marido, engraçado. Logo ela volta e senta ao seu lado. Diz alguma coisa pra ele e eles saem.

Passados mais ou menos uns 30 minutos um funcionário do Pub me entrega um guardanapo com uma marca de batom inconfundível. E isso só aumenta minha dor. E escrito com sua letra inconfundível:

"Sabe o que dizem por aí né? As flores de plástico não morrem."

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Chan(n)el Hair

É uma garota linda. Cabelo curto, sandálias birkenstock. Isso significa que eu a olhei dos pés a cabeça, da cabeça aos pés. Calça saruel e um colar de sementes que em qualquer outra pessoa ficaria brega. Mas nela não. Ela é linda. Tem estilo. Tem mel. Morena, um narizinho tortinho, uma graça. Um olhar que me faz derramar. É, se eu tivesse um copo na mão derramaria. Seios médios e firmes. Pernas perfeitas. E pés que me dão vontade de ter nascido sandália.

Pois bem. Estou na biblioteca. Olho pra um papel onde está escrito 'Fale baixo! Você está em uma biblioteca.' E ela está a poucos metros de mim. O perfume dela invade minhas narinas e me excita. Ela está cantarolando Back to Black, da Amy. Tudo nela me atrai.

Só nós dois numa biblioteca do tamanho do Antônio Accioly. É, o estádio. Ela percebe que eu estou olhando pra ela, e sorri. Um sorriso que me joga nas cordas, puxa de volta e me joga de novo. 'Tá tocando', ela fala. O que? 'Seu celular'. Ah tá, 'brigado.

Nessas horas eu odeio o Humberto Gessinger e a mania de grandeza dele de achar que é bem vindo em todos os momentos, a mania besta que ele tem de entrar sem ser chamado com o 'Entre um rosto e um retrato' dele. Interrompeu um momento mágico. Eu olharia pra ela por horas. E a desejo como um... como um dedo deseja um anel. Sai daqui, Humba! 'Já não vejo diferença entre os dedos e os anéis...'.


Um dia eu irei carregar as compras dela, abrir a porta do carro e falar, 'entra, meu bem'. Vou carregá-la nos braços e soprar seu cabelo chanel, tirando da testa. Vou colocá-la na cama quando ela estiver cansada de escrever a coluna social. Por que não passa de ilusão, né HG?


Para a mulher mais charmosa do Campus V da PUC-GO.



terça-feira, 24 de novembro de 2009

Pessoa, Fernando A



Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é
dor.
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que
escreve,
Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,
Mas só as que ele não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse camboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

Isto


Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto

Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé.
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

Fernando Pessoa


E para aqueles que acreditarem estar diante de alguém que não sabia o que fazia ou quem era:

"A vida de todo ser humano é um caminho em direção a si mesmo, a tentativa de um caminho, o seguir de um simples rastro. Homem algum chegou a ser completamente ele mesmo; mas todos aspiram a sê-lo, obscuramente alguns, outros mais claramente, cada qual como pode”
[Do escritor alemão Hermann Hesse (1877 – 1962)].

Hoje resolvi exaltar este cara que eu considero fantástico! Escolhi meus dois poemas preferidos, que têm muita vazão e postei para compartilhar com a galera num momento mais literário.

Não sei se agrada, e se todos concordam, mas para mim a pessoa do Fernando Pessoa é "do caralho"!!! Pra quem gosta, eu sei que entende o uso da expressão! É isso..

Boa semana pra geral!! Até a próxima!!! beijos

sábado, 21 de novembro de 2009

Insônia.



Fico olhando o centro pela madrugada. De todo o movimento do dia restam apenas alguns latidos secos ecoando e alguns mendigos dormindo num raio de 500 metros. Nos prédios algumas janelas acesas. Fico pensando em um cara como eu ou como você, sentado no sofá de cueca assistindo um filme bem ruim na rede globo. Ou em alguma garota linda solitária ouvindo Beethoven com indescritível solidão assistindo o cair da madrugada.

Do meu lado um casa vazia provavelmente construída nos anos 40, 50. Fico imaginando toda a história daquela casa, quantos garotos cresceram brincando em uma avenida sequer asfaltada e viraram adolescentes naquela mesma casa. Hoje vazia e a venda para se tornar mais um comércio. Penso também aonde estão todas as pessoas que passam ali durante o dia. Dormindo com a pessoa amada em algum periferia sequer asfaltada fazendo amor em silêncio pois os filhos dormem no chão ao lado.

Sinto uma sensação muito ruim que insiste em não ir embora desde que a adolescência chegou. È cruel, quando eu penso ter melhorado ela volta. Queria entender. Falta tesão. Um vazio que consome e corrói e uma grande sensação de solidão potencializada pelas realizações medíocres de uma vida que passa rápido. Tão rápido quanto o cigarro que eu acendo. Queria parar de fumar. Mas a vida passa tão rápido quanto o fogo desse cigarro.

Esses dias pra trás me divertia assistindo o Palmeiras de Luiz Felipe Scolari na televisão. Depois, pouco depois vi meu time ser campeão da série B. E hoje numa dessas ironias da vida passa o jogo no Canal PFC e me senti velho. Perceber que tudo está tão diferente. Os jovens já são velhos e os velhos não jogam mais. E me lembro que já tenho 21 anos que passaram tão rápido quanto meu cigarro se vai. Mais um cigarro. Mais um dia. Mais um louco pede troco na esquina.

Essa rotina que consome e me incomoda. Faço de minhas as palavras de Che em diários de motocicleta. Não quero ser o velho de roupas esquisitas filho de imigrantes com um jornal embaixo do braço voltando da banca no Moema muito menos o velho sentado sozinho dia após dias na porta de sua casa.

Mas infelizmente a mediocridade é a minha sina: “ To sempre escrevendo cartas que nunca vou mandar. As vezes não entendo minha própria letra e minha própria caneta me trai” O mundo já tem os heróis que precisa.
E não faço nada para ser especial. Nada além de ser um grande clichê,mas se é pra ser clichê, não sou nada mesmo e nunca serei. Mas a parte disso tenho em mim todos os sonhos do mundo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um desabafo nada original

Dia 10/11: fui assaltada voltando do trabalho. Desci do ônibus e atravessei a rua, nesse exato momento dois pivetes levaram minha bolsa recheada. Carteira, dinheiro, cartão de crédito, documentos, chaves, etc. Mas podem ficar calmos porque eu não vou narrar minha experiência, nem falar sobre a vida pregressa dos pivetes, muito menos do crescimento da violência urbana e de como isso é assustador, até porque se eu fosse fazer dessa história algo triste e emocionante, eu teria que dramatizar muito. Violência é um tema que não comove mais e é esse o problema. Eles simplesmente levaram minha bolsa, não me machucaram, não fizeram nada comigo, devo agradecer por isso. Foi o que todos disseram.
No tempo de Renato Russo a violência poderia até ser fascinante. Fins da década de oitenta, início da década de noventa, obviamente já havia violência, mas não como hoje. Nesse período o Brasil passava por uma inflação sem precedentes e um crescimento econômico desordenado em decorrência da baderna que os militares fizeram, o que acabou influenciando o comportamento das pessoas. Com o crescimento houve migrações; pessoas vinham a todo momento de estados em maior dificuldade para tentar a vida nos estados mais desenvolvidos, e se deparavam com crise, crise em todos os lugares. Essa história todo mundo conhece: surgiram favelas nas grandes cidades, e com isso a violência só aumentou. Não há mais fascínio porque não há mais novidade. Não há nada de novo no que se vê hoje, exceto seu poder de disseminação. Não há o que se inventar em matéria de tortura, furtos, agressões, mas há o que se inventar ou reciclar em matéria de repressão. Os policiais, sem nunca terem lido Hobbes, sabem que o homem é lobo do próprio homem e sem nunca terem lido Rousseau dizem que a sociedade corrompe o indivíduo e o sistema favorece ao marginal. Com o perdão da pobre e crua expressão, é o caralho. A sociedade não corrompe e a polícia falha sim. A única coisa que é certa, é que o homem é de fato, o algoz. E o favorecido é o mais forte e o mais esperto. Em tudo é assim, em toda nossa vida, em todos os lugares. Mas o destino desse marginal já é conhecido. Ele não vai pra cadeia, porque a polícia está preocupada demais em fazer greve e a legislação está preocupada demais com os direitos humanos para se preocupar com esses semi-humanos ladrões de dignidade. Eles vão ser mortos por seus superiores. Porque vão transgredir alguma regra da legislação especial que regem suas vidas, não vão vender bagulho suficiente, vão roubar uma bolsa sem dinheiro ou vão se meter em alguma merda. Seleção natural foi o nome que Darwin deu à mesma coisa que Hobbes trata em Leviatã. A força e a superioridade daquele que nasce pra comandar.
Mas em uma coisa Renato acertou, amar ao próximo é muito demodê. Eu diria mais. Respeitar o próximo é muito demodê. E é interessante porque essa galera tarada por direitos humanos na verdade não pensa em respeito e amor ao próximo. Deve-se falar em direitos humanos quando a questão envolve um filho da mãe que rouba, mata, estupra e leva embora a dignidade de outra pessoa, inocente, trabalhadora que ganha a vida de modo honesto? Outro absurdo é a maioridade penal ser 18 anos. Desde 1940 a maioridade penal é 18 anos. Eu não preciso me estender falando sobre a mudança ideológica ocorrida nesses quarenta e tantos anos. Francamente, está tudo errado.
Direitos humanos devia servir para quem é humano, a polícia deveria se organizar melhor, se dividir melhor, ter um melhor planejamento e evitar greves; e a legislação deveria favorecer às pessoas de bem e tratar os desiguais à medida que se desigualam, relativizando até mesmo os tratados internacionais.
Me cabe mais um desabafo. Eu espero, que um dia, nós, sejamos grandes o suficiente pra não precisar agradecer quando alguém simplesmente roubar algo nosso. Que sejamos grandes o suficiente pra poder reaver tudo que perdemos, não só o dinheiro e o sono roubado; que um dia não precisemos passar por nenhum tipo de furto. Que um dia a polícia faça alguma coisa de eficiente, que a legislação seja menos inócua, menos anacrônica e viva, exista e surta efeito em tempo real. Enquanto nós tivermos esse pensamento pequeno e inferior de agradecer por simplesmente termos sido roubados, muita coisa será tirado da gente. Que um dia não ouçamos um policial dizer que não adianta, que o bandido corre muito e ninguém pega. Que a lei mude, que o policial se qualifique e que nós, que nós cresçamos, tomemos atitude e tenhamos vontade suficiente pra mudar o que não nos satisfaz ao invés de reclamar e botar a culpa nos outros.



em off: feliz estou de fazer parte desse um ano, temos que beber uma por isso!!! Amanhã, pode ser? ;D

Um Ano!

Boa tarde, meu povo e minha pova! Bãos? Sabem que dia é hoje? 18 de novembro de 2009. E sabe o que isso significa? Que o Jornalistas do Hawaii está completando UM ANO! Isso mesmo, um ano! Fodalhão. Quem diria, hein? Que o blog da resenha do fundão, dos malas do palheiro, iria durar um ano! E assim, um ano mesmo, com postagens 'frequentes'... Isso realmente me deixou de pipiu duro.

Um ano de JorHaw, realmente um ano digno. Postagens sensacionais nesse tempo, mas a rasgação de seda que se foda e o que realmente me importa é que o blog está aqui. Confesso que estou surpreso de como o tempo passou rápido, até parece que o homem do tempo é o... É, ele mesmo. É engraçado ficar lendo as postagens do começo do blog. Eu, um ano mais experiente, uso até palavras diferentes daquela época. E minha barriga aumentou consideravelmente. Jardel mais careca. Negão mais magro. Rorrô virou Boi.

Só tenho que dizer 'obrigado' aos que mantém vivo o JorHaw, aos nossos fiéis visitantes, que são o de mais importante nesse tempo. É isso. Depois volto aqui com mais tempo, tá meio corrido. Feliz aniversário a nós, e que alguém pague a cerveja da comemoração.


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Reinventando a beleza


Porque será que ainda existem pessoas que insistem em afirmar que a beleza, a tão almejada beleza escultural, física, está nos olhos de quem vê? Isso é hipocrisia, todos nós sabemos que hoje em dia existe sim um padrão convencional de beleza a ser seguido, imposto pela nossa sociedade. Onde a idéia do belo se tornou algo fixo e concreto, dismistificado, banal e inquestionavelmente comum. As pessoas estão cada vez mais focadas na reconstrução do seu esteriótipo, perderam a identidade, mudaram seus conceitos de plenitude e beleza.
De repente, de tanto querer ser diferente, as pessoas não percebem que estão se tornando cada vez mais iguais, mais artificiais, robóticas e consequentemente evazivas.
As pessoas se deixam levar pelo modismo, seguindo tendências, sempre querem retocar, concertar ou remover algo indesejável no próprio corpo. São seduzidas pela onda da cirurgia plástica, da lipoaspiração, enfim... São raríssimos, aqueles que se dizem conformados com o que possuem, que se sentem bem da forma que são.
Existem pesquisas que comprovam que as mulheres lideram o ranking das insatisfações, lutam diariamente contra o inevitável envelhecimento, contra a queda dos seios, contra as rugas que se formam no canto dos olhos quando sorriem - que nada mais são do que marcas das expressões faciais. Elas lutam diariamente contra elas mesmas, preocupadas com a beleza, procurando aumentar o próprio ego e elevar a auto-estima, como se a vida fosse um espetáculo teatral e pudesse ser adiada porque não houve retoque na maquiagem.
O próprio presidente da Sociedade Brasileira de Cirúrgia Plástica Regional de São Paulo, João de Moraes Prado Neto afirma que o resultado dessa obsessão são bizarrices produzidas por falta de bom senso, tanto dos pacientes quanto dos médicos.
Então, fico me perguntando "o que será que acontece com as pessoas?" Elas estão perdendo seus limites, por exagerarem demais, por não se contentarem, não se amarem o suficiente para se aceitar como são.
É fato também que tudo isso é fruto de uma sociedade capitalista, todos querem ser notados, querem aparecer, querem ascensão social e estar dentro dos padrões exigidos pela cruel sociedade.
É certo que os valores são outros e tendem a ser repassados com maior intensidade para as futuras gerações, não sabemos onde tudo vai parar, se é que vai parar. Mas como toda ação tem uma reação, ainda veremos muitas consequências desta obsessão descontrolada em criar uma beleza esteriotipada.
Para tudo tem-se limites, é preciso repensar com quantas plásticas se faz uma pessoa, quantas e quais cirurgias são necessárias para reparar ou até mesmo mudar o caráter, os princípios e a ética de alguém, já que isso faz tanta gente feliz. Quem dera um ladrão, mudasse sua conduta com um aplique de botox.
Para a verdadeira beleza não existe fórmula, cirurgia, silicone... São valores e princípios que consistem apenas na essência do ser humano. Infelizmente pouco notada no cenário atual.
Quem sabe um dia, as pessoas consigam compreender o que é a verdadeira beleza, e onde ela pode ser encontrada, entender a lógica do natural, do simples e do espontâneo e que perfeição não existe. Aliás existe e se define como uma só: Natureza! Só esta, sabe ser perfeitamente linda em cada uma de suas minúcias.
Que as pessoas então percebam que elas perdem tempo demais tentando construir algo que pode estar dentro delas, que descubram a beleza e a delícia de ser e existir. Que compreendam que não se cria, nem inveta a beleza, mas se auto-descobre.

Por Vanessa Mayane.

"Quem é viva sempre aparece!" rs Até a próxima... beeijos!

Eduardo e Mônica: Análise


Putz, eu postando duas vezes no mesmo dia... Acho que a última vez que fiz isso o Doalcei Camargo ainda era vivo. Pois bem. Eu estava dando uma passeada na blogosfera aí antes de estudar e vi uma análise um tanto quanto interessante da música Eduardo e Mônica, do Legião. Aí, na base do ctrl c+ ctrl v, resolvi colocar aqui. Peguei aqui.


A música Eduardo e Monica da banda Legião Urbana esconderia uma implicância com o sexo masculino?

O falecido Renato Russo era, sem dúvida, um ótimo músico e um excelente letrista. Escreveu verdadeiras obras de arte cheias de originalidade e sentimento. Como artista engajado que era, defendia veementemente seus pontos de vista nas letras que criava. E por isso mesmo, talvez algumas delas excedam a lógica e o bom senso. Como no caso da música Eduardo e Mônica, do álbum "Dois" da Legião Urbana, de 1986, onde a figura masculina (Eduardo) é tratada sempre como alienada e inconsciente, enquanto a feminina (Mônica) é a portadora de uma sabedoria e um estilo de vida evoluidíssimos. analisemos o que diz a letra.



Logo na segunda estrofe, o autor insinua que Eduardo seja preguiçoso e indolente (Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar; Ficou deitado e viu que horas eram) ao mesmo tempo que tenta dar uma imagem forte e charmosa à Mônica (enquanto Mônica tomava um conhaque noutro canto da cidade como eles disseram). Ora, se esta cena tiver se passado de manhã como é provável, Eduardo só estaria fazendo sua obrigação: acordar. Já Mônica revelaria-se uma cachaceira profissional, pois virar um conhaque antes do almoço é só para quem conhece muito bem o ofício.

Mais à frente, vemos Russo desenhar injustamente a personalidade de Eduardo de maneira frágil e imatura (Festa estranha, com gente esquisita). Bom, "Festa estranha" significa uma reunião de porra-loucas atrás de qualquer bagulho para poderem fugir da realidade com a desculpa esfarrapada de que são contra o sistema. "Gente esquisita" é, basicamente, um bando de sujeitos que têm o hábito gozado de dar a bunda após cinco minutos de conversa. Também são as garotas mais horrorosas da via-láctea. Enfim, esta era a tal "festa legal" em que Eduardo estava. O que mais ele podia fazer? Teve que encher a cara pra agüentar aquele pesadelo, como veremos a seguir.

Assim temos (- Eu não estou legal. Não agüento mais birita). Percebe-se que o jovem Eduardo não está familiarizado com a rotina traiçoeira do álcool. É um garoto puro e inocente, com a mente e o corpo sadios. Bem ao contrário de Mônica, uma notória bêbada sem-vergonha do underground.

Adiante, ficamos conhecendo o momento em que os dois protagonistas se encontraram (E a Mônica riu e quis saber um pouco mais Sobre o boyzinho que tentava impressionar). Vamos por partes: em "E a Mônica riu" nota-se uma atitude de pseudo-superioridade desumana de Mônica para com Eduardo. Ela ri de um bêbado inexperiente! Mais à frente, é bom esclarecer o que o autor preferiu maquiar. Onde lê-se "quis saber um pouco mais" leia-se" quis dar para"! É muita hipocrisia tentar passar uma imagem sofisticada da tal Mônica.

A verdade é que ela se sentiu bastante atraída pelo "boyzinho" que tentava impressionar"! É o máximo do preconceito leviano se referir ao singelo Eduardo como "boyzinho". Não é verdade. Caso fosse realmente um playboy, ele não teria ido se encontrar com Mônica de bicicleta, como consta na quarta estrofe (Se encontraram então no parque da cidade A Mônica de moto e o Eduardo de camelo). Se alguém aí age como boy, esta seria Mônica, que vai ao encontro pilotando uma ameaçadora motocicleta. Como é sabido, aos 16 (Ela era de Leão e ele tinha dezesseis) todo boyzinho já costuma roubar o carro do pai, principalmente para impressionar uma maria-gasolina como Mônica.

E tem mais: se Eduardo fosse mesmo um playboy, teria penetrado com sua galera na tal festa, quebraria tudo e ia encher de porrada o esquisitão mais fraquinho de todos na frente de todo mundo, valeu?

Na ocasião do seu primeiro encontro, vemos Mônica impor suas preferências, uma constante durante toda a letra, em oposição a uma humilde proposta do afável Eduardo (O Eduardo sugeriu uma lanchonete Mas a Mônica queria ver filme do Godard). Atitude esta, nada democrática para quem se julga uma liberal.

Na verdade, Mônica é o que se convencionou chamar de P.I.M.B.A (Pseudo Intelectual Metido à Besta e Associados, ou seja, intelectuerdas, alternativos, cabeças e viadinhos vestidos de preto em geral), que acham que todo filme americano é ruim e o que é bom mesmo é filme europeu, de preferência francês, preto e branco, arrastado para caralho e com bastante cenas de baitolagem.

Em seguida Russo utiliza o eufemismo "menina" para se referir suavemente à Mônica (O Eduardo achou estranho e melhor não comentar. Mas a menina tinha tinta no cabelo). Menina? Pudim de cachaça seria mais adequado. Ainda há pouco vimos Mônica virar um Dreher na goela logo no café da manhã e ele ainda a chama de menina? Além disto, se Mônica pinta o cabelo é porque é uma balzaca querendo fisgar um garotão viril. Ou então porque é uma baranga escrota.

O autor insiste em retratar Mônica como uma gênia sem par. (Ela fazia Medicina e falava alemão) e Eduardo como um idiota retardado (E ele ainda nas aulinhas de inglês). Note a comparação de intelecto entre o casal: ela domina o idioma germânico, sabidamente de difícil aprendizado, já tendo superado o vestibular altamente concorrido para Medicina. Ele, miseravelmente, tem que tomar aulas para poder balbuciar "iéis", "nou" e "mai neime is Eduardo"! Incomoda como são usadas as palavras "ainda" e "aulinhas", para refletir idéias de atraso intelectual e coisa sem valor, respectivamente.

Na seqüência, ficamos a par das opções culturais dos dois (Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, De Van Gogh e dos Mutantes, De Caetano e de Rimbaud). Temos nesta lista um desfile de ícones dos P.I.M.B.A., muito usados por quem acha que pertence a uma falsa elite cultural. Por exemplo, é tamanha uma pretensa intimidade com o poeta Manuel de Souza Carneiro Bandeira Filho, que usou-se a expressão "do Bandeira". Francamente, "Bandeira" é aquele juiz que fica apitando impedimento na lateral do campo. O sujeito mais normal dessa moçada aí cortou a orelha por causa de uma sirigaita qualquer. Já viu o nível, né? Só porra-louca de primeira. Tem um outro peroba aí que tem coragem de rimar "Êta" com "Tiêta" e neguinho ainda diz que ele é gênio!

Mais uma vez insinua-se que Eduardo seja um imbecil acéfalo (E o Eduardo gostava de novela) e crianção (E jogava futebol de botão com seu avô). A bem da verdade, Eduardo é um exemplo. Que adolescente de hoje costuma dar atenção a um idoso? Ele poderia estar jogando videogame com garotos de sua idade ou tentando espiar a empregada tomar banho pelo buraco da fechadura, mas não. Preferia a companhia do avô em um prosaico jogo de botões! É de tocar o coração. E como esse gesto magnânimo foi usado na letra? Foi só para passar a imagem de Eduardo como um paspalho energúmeno. É óbvio, para o autor, o homem não sabe de nada. Mulher sim, é maturidade pura.

Continuando, temos (Ela falava coisas sobre o Planalto Central, Também magia e meditação). Falava merda, isso sim! Nesses assuntos esotéricos é onde se escondem os maiores picaretas do mundo. Qualquer chimpanzé lobotomizado pode grunhir qualquer absurdo que ninguém vai contestar. Por que? Porque não se pode provar absolutamente nada. Vale tudo! É o samba do crioulo doido. E quem foi cair nessa conversa mole jogada por Mônica? Eduardo é claro, o bem intencionado de plantão. E ainda temos mais um achincalhe ao garoto (E o Eduardo ainda estava no esquema escola - cinema - clube - televisão). O que o Sr. Russo queria? Que o esquema fosse "bar da esquina - terreiro de macumba - sauna gay - delegacia"?? E qual é o problema de se ir a escola?!?

Em seguida, já se nota que Eduardo está dominado pela cultura imposta por Mônica (Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia, teatro, artesanato e foram viajar). Por ordem:

1) Teatro e artesanato não costumam pagar muito imposto.

2) Teatro e artesanato não são lá as coisas mais úteis do mundo.

3) Quer saber? Teatro e artesanato é coisa de viado!!!

Agora temos os versos mais cretinos de toda a letra (A Mônica explicava pro Eduardo Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar). Mais uma vez, aquela lengalenga esotérica que não leva a lugar algum. Vejamos: Mônica trabalha na previsão do tempo? Não. Mônica é geóloga? Não. Mônica é professora de química? Não. A porra da Mônica é alguma aviadora? Também não. Então que diabos uma motoqueira transviada pode ensinar sobre céu, terra, água e ar que uma muriçoca não saiba?

Novamente, Eduardo é retratado como um debilóide pueril capaz de comprar alegremente a Torre Eiffel após ser convencido deste grande negócio pelo caô mais furado do mundo. Santa inocência... Ainda em (Ele aprendeu a beber), não precisa ser muito esperto pra sacar com quem... é claro, com a campeã do alambique! Eduardo poderia ter aprendido coisas mais úteis, como o código morse ou as capitais da Europa, mas não. Acharam melhor ensinar para o rapaz como encher a cara de pinga. Muito bem, Mônica! Grande contribuição!

Depois, temos (deixou o cabelo crescer). Pobre Eduardo. Àquela altura, estava crente que deixar crescer o cabelo o diferenciaria dos outros na sociedade. Isso sim é que é ativismo pessoal. Já dá pra ver aí o estrago causado por Mônica na cabeça do iludido Eduardo.

Sempre à frente em tudo, Mônica se forma quando Eduardo, o eterno micróbio, consegue entrar na universidade (E ela se formou no mesmo mês em que ele passou no vestibular). Por esse ritmo, quando Eduardo conseguir o diploma, Mônica deverá estar ganhando o seu oitavo prêmio Nobel.

Outra prova da parcialidade do autor está em (porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação). É interessante notar que é o filho do Eduardo e não de Mônica, que ficou de segunda época. Em suma, puxou ao pai e é burro que nem uma porta.

O que realmente impressiona nesta letra é a presença constante de um sexismo estereotipado. O homem é retratado como sendo um simplório alienado que só é salvo de uma vida medíocre e previsível graças a uma mulher naturalmente evoluída e oriunda de uma cultura alternativa redentora. Nesta visão está incutida a idéia absurda que o feminino é superior e o masculino, inferior. É sabido que em todas culturas e povos existentes o homem sempre oprimiu a mulher. Porém, isso não significa, em hipótese alguma, que estas sejam melhores que os homens. São apenas diferentes. Se desde o começo dos tempos o sexo feminino fosse o dominador e o masculino o subjugado, os mesmos erros teriam sido cometidos de uma maneira ou de outra. Por que? Ora, porque tanto homens quanto mulheres e colunistas sociais fazem parte da famigerada raça humana. E é aí que sempre morou o perigo. Não importa que seja Eduardo, Mônica ou até... Renato!

Adolar Gangorra tem 71 anos, é editor do periódico humorístico Os Reis da Gambiarra e não perde um show sequer dos "The Fevers".

É isso, de novo. Grande né? Leia, seu mala!

Sorte



Divulgados os 'Potes' para o sorteio dos grupos da Copa 2010. 'Mas e o que é que eu tenho com isso?' Nada, realmente nada. Mas não custa 'nada' ficar sabendo os prováveis adversários do Brasil. O sorteio funciona da seguinte forma: Uma seleção de cada pote, desde que não do mesmo continente, com excessão da Europa, que pode sim ter duas no mesmo grupo. Pela formação dos potes, Brasil enfrenta alguma seleção africana logo na primeira fase. Veja:

Pote 1:

África do Sul
Brasil
Espanha
Itália
Alemanha
Argentina
Inglaterra
França*

Pote 2:

Holanda
Portugal/Bósnia
Rússia/Eslovênia
Suíça
Grécia/Ucrânia
Sérvia
Dinamarca
Eslováquia

Pote 3:

Costa do Marfim
Gana
Nigéria
Camarões
Egito/Argélia
Paraguai
Chile
Uruguai/Costa Rica**

Pote 4:

Japão
Coréia do Sul
Coréia do Norte
Austrália
Nova Zelândia
México
Estados Unidos
Honduras

* Se a Irlanda eliminar a França na repescagem, a Holanda passa para o pote 1 e a Irlanda fica no 2.
** Se a Costa Rica eliminar o Uruguai na repescagem, o México passa para o pote 3.

Como no pote 3 só tem seleções africanas além das da América do Sul (colocando o Uruguai como classificado), teremos Brasil x Alguém da África na primeira fase. Portugal provavelmente no pote 2 e México no 4 (ou 3) prometem incomodar os cabeças de chave. Pensa, que maravilha, um grupo com Argentina, Portugal, Camarões e México? Ou ainda Costa do Marfim e Estados Unidos, perturbando Itália e Holanda? Será realmente uma Copa emocionante. Aposta do Monta's, grupo doce o do Brasil: Nós, Dinamarca, Egito (ou Argélia) e Nova Zelândia. Anota aí, será esse o nosso grupo na Copa 2010. Deixe sua aposta para o grupo do Brasil nos comentários, se tiver afim. No mais, sem mais. É isso. Abraço.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pirações publicitárias

Curso de publicidade é meio enjoado, mas de vez em quando a gente se diverte...
Taí um spot de rádio que fizemos para nossa agência, Blá Comunicação Inteligente.

Glossário: jingle são aquelas musiquinha de propaganda, tipo "pipoca na panela[...]"


domingo, 8 de novembro de 2009

The wall.


Alívio Imediato - Engenheiros do Hawaii, Composição: Humberto Gessinger :

O melhor esconderijo, a maior escuridão
Já não servem de abrigo, já não dão proteção
A Líbia é bombardeada, a libido e o ví­rus
O poder, o pudor, os lábios e o batom (2x)

Que a chuva caia
Como uma luva
Um diluvio
Um delírio
Que a chuva traga
Alivio imediato


Que a noite caia
De repente caia
Tão demente
Quanto um raio
Que a noite traga
Ali­vio imediato

Há espaço pra todos, há um imenso vazio
Nesse espelho quebrado por alguém que partiu

A noite cai de alturas impossí­veis
E quebra o silencio e parte o coração

Há um muro de concreto entre nossos lábios
Há um muro de Berlim dentro de mim
Tudo se divide, todos se separam
Duas Alemanhas, duas Coreias
Tudo se divide, todos se separam

Que a chuva caia
Como uma luva
Um diluvio
Um delírio
Que a chuva traga
Alivio imediato

Que a noite caia
De repente caia
Tão demente
Quanto um raio
Que a noite traga
Ali­vio imediato




Goiânia, Algum lugar em 1997.


Pai, o que foi a queda do muro de Berlim?

Bom meu filho é o seguinte: Depois da segunda guerra mundial os russos invadiram de um lado, os americanos do outro, eles dividiram a Alemanha no meio e o muro passava no meio de Berlim. Isso dividiu a cidade e algumas pessoas moravam do lado de lá e outras de cá. O lado de lá com a ruína da união soviética acabou ficando pobre e o povo foi ficando bravo. E eles tinham sempre amigos em comum dos dois lados. Aí um dia o povo cansou e todo mundo juntou e foi lá e derrubou.



Estrelando: Cristiane F. 13 anos, drogada prostituída masturbando velhos em Mercedes, que cresceu brincando no muro e dançando David Bowie.

Franz Anton Beckebauer, o "Brasileiro da Alemanha", futuro "Kaiser". De postura ereta, passes curtos e precisos. Curiosidade: Quando criança, peitou o proprio pai, aposentado devido a ferimentos que sofrera na Segunda Guerra, não gostava que Beckenbauer utilizasse o único para jogar o único par de sapatos que possuía.

Stasi ( Ministerium für Staatssicherheit, Ministério para a Segurança do Estado
Cujos arquivos "pessoais" acumulados formam 110 quilômetros de papel.)

Otto Leopold Eduard von Bismarck e sua eterna contribuição um século antes.



Winston Leonard Spencer Churchill : Fulton, Missouri, Eua.

5 de março de 1946,

"From Stettin in the Baltic to Trieste in the Adriatic an iron curtain has descended across the Continent. Behind that line lie all the capitals of the ancient states of Central and Eastern Europe. Warsaw, Berlin, Prague, Vienna, Budapest, Belgrade, Bucharest and Sofia; all these famous cities and the populations around them lie in what I must call the Soviet sphere, and all are subject, in one form or another, not only to Soviet influence but to a very high and in some cases increasing measure of control from Moscow."

Numa tradução livre:

"De Estetino, no [mar] Báltico, até Trieste, no [mar] Adriático, uma cortina de ferro desceu sobre o continente. Atrás dessa linha estão todas as capitais dos antigos Estados da Europa Central e Oriental. Varsóvia, Berlim, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado, Bucareste e Sofia; todas essas cidades famosas e as populações em torno delas estão no que devo chamar de esfera soviética, e todas estão sujeitas, de uma forma ou de outra, não somente à influência soviética mas também a fortes, e em certos casos crescentes, medidas de controle de Moscovo."







Nietzsche afirma em sua obra Ecce Hommo que o ressentimento é a ruína do homem, ao meu compreender, moderno. E realmente há um muro de Berlim dentro de cada um de nós. Por mais suave e singela que seja a sua expressão nas mazelas de nosso caráter, seus rumos e influências são definitivas para qualquer atitude nossa. Desde um ato apaixonado e inconsequente até a mais infame piada. Não sou psicológo nem pretendo ser mas creio que faz parte da nossa evolução espiritual transpor esses muros interiores que temos e então finalmente evoluir. Caso contrário você pode ser apenas mais um " boçal que atira bombas na embaixada" . Você pode ser mais um playboy que pouco se importa com essas notícias que inundam os jornais enquanto você bebe cerveja em um bar inflamado em uma das mais belas capitais do País. Afinal de contas, Política não te interessa.

E sua existência continua vazia e vazia. Sempre achei que tinha mania de tornar as coisas muito mágicas e emblemáticas. Mas eu sou assim, nasci assim. Sem emoção não tem graça. Sempre gostei de definir numa definição talvez pouco modesta que tinha olhos poéticos. Tudo depende do quão poéticos os seus olhos são para as coisas.

Um acontecimento meramente político ou histórico como a queda do muro de Berlim muito possivelmente pode soar irrelevante. Mas seria um contrasenso negar a ordem dos fatos. A bela camisa vermelha do Bayern De Munique que você usa está relacionada. Veja bem o Bayern só é o que devido a Franz Beckenbauer. E todo clube de futebol é uma expressão socio cultural de seu povo e seu País. E o pai de Beckenbauer fez parte do show.

Irrelevante não? Mas nínguem tem uma particição definitiva. Desde que Otto Von Bismarck unificou a Alemanha até a queda do muro 20 anos atrás levantando assim com promissor entusiasmo a bandeira da União Européia todos foram meros coadjuvantes.

A Europa caminha para uma unificação cada vez mais forte nunca antes vista na história. Algo como "nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos". Até porque eles sabem que se os deploráveis ianques hoje tem controle do planeta foi pelo tempo que perderam com a sua briga de irmãos.

Dos urais até a Irlanda são todos irmãos. Dos troianos que fundaram Roma ( assassinem me historiadores... ), dos Romanos que fundaram o maior império da história que influenciou Hitler E Napoleão. E que foram conquistar os povos bárbaras ascendetes do senhor Humberto Gessinger que acabou herdeiro de um pampa pobre. Dos latinos que que se estabeleceram por todo o meditarrâneo e principalmente na península Ibérica e por lá ficaram. Até que viessem para o Brasil e aqui estou escrevendo.


O tempo não para. Com certeza a queda do muro foi apenas mais um fator coadjuvante no eterno filme da história da raça humana. Mas do Ipod que você ouve até a camisa do Bayern De Munique todos estamos ligados.




Mas o mais importante é que existem muros por todos os lados. Devemos aprender a bela lição do povo alemão e de sua triste história e num sonho utópico quem sabe um dia derrubarmos algum muro.

Devemos derrubar o muro extremamente segregador da educação em nosso país. Devemos derrubar o muro do preconceito.

Mas talvez nada disso te importe pois entre você e a pessoa que você mais amou em sua vida exista um muro de Berlim entre seus lábios. E entre vocês. Que nunca mais se viram. E por isso você não se importa com a vida e não se importa se os avisos de de cigarro que avisam que fumar faz mal.



Muros Muros Muros por todos os lados.
Por todos os corações e todas as poesias
Dentro de cada ideologia

Passeando por todas as fés,
Nos matando e amarrando nossa evolução,

Até quando?Até quando...




Curiosidade: A banda inglesa Pink Floyd não tocou em solo alemão enquanto o muro estava de pé. Em 1990 dividiram palco com a banda Alemã Scorpions em um show histórico. Ingleses e Alemães dividindo palco celebrando a queda do muro.

O pai de Waters, Eric Fletcher Waters, soldado dos Royal Fusiliers do Regimento de Londres, perdeu a vida na 2ª Guerra Mundial na campanha de Anzio (que é descrita em “When the tigers broke free”). Esta perda é inspiração para muitos dos trabalhos de Waters, que ficou indignado com a guerra das Malvinas e produziu o genial Álbum "The Final Cut ", o qual eu ouvi enquanto escrevi tudo isso, mas isso é outra história...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Previsões sobre a Copa de 2010.


Olá queridos leitores de nosso blog e amantes, fanáticos, apaixonados, doentes e insensatos pelo bom futebol que nos move.


A Copa do mundo é uma época de êxtase para todos nós. Na última me lembro que assisti quase todos os jogos e me encantei, pois foi a primeira copa que eu já assisti com uma opinião formada e se é que se pode dizer, madura. E apenas para reverenciar, até porque sou fã do cara, pra mim Andrea Pirlo foi o melhor jogador da copa. Genial.

Mas enfim, vamos aos pitacos da copa de 2010, afinal de contas eu me orgulho de poder dizer que dizia a plenos pulmões que a Itália era minha favorita para a copa de 2006.


Pra mim o título fica entre Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha ou Brasil. Esses provavelmente estarão os oito primeiros, embora infelizmente alguns tropecem pelas quartas de final em algum duelo de gigantes como foi Argentina x Alemanha em 2006 ou Brasil e Inglaterra em 2002.

Então vamos as seleções:


Espanha: A história nos mostra que nenhuma seleção com exceção da pelé conseguiu ser bicampeã em dois campeonatos expressivos. Embora o bicampeonato de '62 se deva a Mané Garrincha como protagonista, acho válido comparar a Eurocopa com todo seu peso e importância de hoje a essa responsabilidade. Então acho que dificilmente a espanha será campeã desse mundial. Aposto em fábregas e companhia para 2014, mas nesse acho difícil. Mas tem tudo para desenvolver um bom futebol e encantar o mundo. A seu favor pesa o fato de que ( olhem que ironia...) sempre foram tradicionalmente pipoqueiros de um futebol bonito e mostraram na última eurocopa que não são mais... pipoqueiros! Mistérios do futebol...


Inglaterra: A geração mais talentosa do futebol inglês desde 1966 passou em branco em todas as competições. Só conseguiu engatar em 2002 e esbarrou em uma atuação brilhante de Ronaldinho Gaúcho. Acho que esbarrar em um gênio como o Gaúcho é uma desculpa válida.
A história nos mostra que gerações muito talentosas geralmente tendem a desencantar vide...a Itália de 2006. Todo mundo pensava, poxa vida, será possível que pirlo, cannavaro buffon e cia. irão passar em branco mesmo? Assim como o Brasil de 2002...
Mas se não ganharem também não será a primeira vez que uma seleção de primor técnico "fracassa", vide a geração de zico, cruyff, Brasil de 2006, batistuta etc...

Mas essa seleção tem vários jogadores que se apenas UM deles pegar pra jogar o que sabe é capaz de ARRASTAR o English Team para no mínimo a final do mundial.

Vamos lá:

----------------(um meia boca qualquer no gol, por que com essa zaga \/ até o Harlei pega no gol! --------------------------)


Gary Neville--------John Terry---Rio Ferdinand----Ashley Cole


David Beckham------Steven Gerrard------Frank Lampard-------

Joe Cole---------Michael Owen-----Wayne Rooney,


Embora tenha escalado um ousado e improvável demonstrativo 4-3-3, tirem o joe cole e coloque um volante batendo em tudo que passar, que aí meu amigo, jogando com Steven Gerrard e Jhon Terry nas costas... não precisa de muita coisa...


Eu acho que dessa vez, a Inglaterra vai!




Itália:

A história, maldita história, nos mostra bla bla bla sobre ser bicampeão... Mas eles já fracassaram na Eurocopa, Marcelo Lippi voltou...E se Andrea Pirlo, Gianluigi Buffon, Alessandro Nesta resolverem jogar o que sabem meu amigo... Na minha opinião a itália tá com cara de vice campeonato tipo a França de 2006.


E por fim, a Alemanha de Schweinsteiger e Michael Ballack.


Uma geração privilegiada de grandes conquistas, um jogador injustiçado na minha opinião ( Ballack ) e um promissora Lenda, Schweinsteiger.


Ballack é o tipo azarado, não jogou a final de 2002, ele e Cristiano Ronaldo escorregaram pra bater penalti na champions de 2008 e o animal do Terry me escorrega também...

Mas quem sabe agora vai?

A dupla de zaga é boa, o meio é criativo e se bobear o Klose Guarda.

Com a disciplina tática dos alemães, pode pintar qualquer coisa entre os 4 primeiros.



E o Brasil...Dispensa comentários...Esse aí todos nós conhecemos...



Até a próxima e abraço.

ps:Perdoem prováveis erros gramaticais, fiquei com preguiça de revisar o texto e o que esperar de um analfabeto como eu...Não é? Hehehe


Falou!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Tendão de Aquiles

Aquiles foi um herói da mitologia grega, que participou da Guerra de Tróia, que ganhou fama depois de Ilíada, a grande obra de Homero. Segundo o mito, Aquiles além de mais belo, era o melhor, mais destemido de todos os guerreiros gregos, inatingível, invulnerável em qualquer parte do seu corpo exceto pelo seu calcanhar, onde foi acertada uma flecha invenenada que o matou. O tendão era sua maior fraqueza.
Fui pensar sobre isso um dia desses. Alguém me disse que a solidão era o seu tendão e eu pensei muito... Não... Esse não seria o meu tendão desde que o meu objetivo não fosse viver rodeado de gente.
Qual seria meu tendão de Aquiles, foi o que eu comecei a pensar... E não tive muita dúvida. É o fracasso. Eu não sei perder, é dificil ser derrotado. Quero dizer com fracasso exatamente tudo. Quando se perde um amigo, se fracassa. Quando se perde um amor, por algum motivo, você fracassou. Quando não se ama, o fracasso é permanente. No trabalho, em casa, na rua, na vida, o medo de fracassar é algo que me consome. Não conseguir um objetivo é simplesmente a pior coisa do mundo, independente de qual seja o objetivo e o mundo.
Objetivo. Taí uma coisa que deveria ser universal, uma espécie de lei mesmo. Só deveria existir, no mundo, pessoas que tivessem um objetivo fixo, ou vários deles ao longo da vida. Afinal, estamos em constante mudança e as metas são constantemente superadas para darem início a outras. A gente nasce e já vem logo um objetivo: aprender a entender o mundo, as coisas, as cores, as palavras. Quando a gente começa male male a entender, o objetivo é aprender a transparecer, a expressar o entendimento, aí vem a fala, depois a escrita e pronto! já estamos na escola, na droga de escola, independente do motivo e do meio, o objetivo é o mesmo: terminar logo o fundamental, o ensino médio e durante esse período temos outros objetivos: aprender música, beijar tal pessoa, aprender alguma dança e etc. Quando a gente menos espera, lá estamos: vestibular. O maior objetivo que você pensa que vai ter durante toda sua vida aos dezessete anos de idade. É foda... mal sabemos da OAB, do mercado de trabalho, e cara, mais mil objetivos, mil metas surgem em cinco anos de faculdade. Fora os externos, aquele show, aquele artista que você quer conhecer, aquela menina (ou aquele cara) que você quer ficar, aquele estágio que você sonha em conseguir. E por ai vai... a gente vive pela falta de tempo, vive com a vida cheia, vive pra ter objetivos, vive pra vencer. Mas não dá pra conseguir conquistar todas as pessoas, todos os empregos e concursos sonhados, a melhor faculdade, a banda se desfaz antes de você ter grana pra ir ao show, etc. Assim como metas e objetivos, o fracasso é recorrente. Cabe a cada um saber lidar com ele. Mas eu garanto. Eu não sei. E há pessoas que não sabem mesmo. Fracassar pra mim, é como a morte, irremediável, intolerável e causa um sofrimento terrível. Assim como a solidão pra mim é remediável e para outros não é. Cada um com suas dores, cada um com suas alegrias. O que dá pra garantir é que ninguém suporta tudo e cada um tem aí seu ponto fraco, seu tendão de Aquiles, por mais belo, guerreiro e imbatível que seja, a fraqueza é inerente ao ser humano, que é tão forte quanto o elo mais fraco.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

História em quadrinhos


Saio de casa. Esquina. Acho que esqueci de desligar o rádio. Foda-se. Comprar cigarros. Vejo uma mulher de uns quarenta e poucos anos empurrando um carrinho de bebê. E ela fuma. Vagabunda. E feia. Nove e trinta e sete da noite. O que ela faz na rua, com um bebê, hora dessas? Isso não é problema meu. Que morra sem os membros.

Posto de gasolina. Camel, moça. Cinco reais. Troco, chicletes. Vou embora. Rua. Acendo um cigarro. Trago. Solto a fumaça tentando fazer bolinhas. Não consigo. Novela global na televisão do Pit Dog. Idiotas. Tirem suas bundas burguesas da cadeira e vão pra casa, moleques vadios! Foda-se. Isso não é problema meu.

Praça. Banco, sento. Acendo mais um cigarro. Trago. Solto. Tento fazer bolinhas sem tragar. Tem umas pestes jogando futebol na praça. A essa hora. Dez e vinte e três. Bando de filhos sem pai. Numa plena terça-feira. Viadinhos sem cultura.


Apago o cigarro. Fico imaginando como a vida é medíocre, como vim até aqui pra desistir exatamente agora. Por que sou o melhor que consigo ser e não consigo nem ser medíocre. Que se foda. A gente faz tudo, mas nada faz sentido. Mais um cigarro.


Tem dois pivetes parados na esquina, a mesma esquina. Dois pivetes. Um sem camisa. O outro usando uma camisa de futebol, vermelha e preta com um BR. Cada um em uma bicicleta. Estão me olhando.


Se aproximam, os desgraçados. Estilete, canivete. Estou sentado. - Passa tudo. - Não tenho nada. - Não perguntei, mandei passar. - Esvazia os bolsos, esvazia tudo. Carteira, relógio, celular, isqueiro. - Agora corre. - Não posso, sou deficiente, corram vocês. E eles correm.


Um, dois, três. Pausa. Quatro, cinco, pausa maior. Seis. Disparos. Três em cada um dos infelizes. Mandou esvaziar tudo, não foi, FILHO DA PUTA! Porque a vida não é uma história em quadrinhos.






Qualquer semelhança com a vida real é mero jornalismo.

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