quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

As bandas do imortal.



Perdoem a insistência no texto,mas é que eu realmente gostei dele e gostaria que ele tivesse mais alguns dias online,apenas isso.






Os heróis de guerra são ingleses. Os meteoros e aliens apenas nos EUA. Samurais apenas no Japão. Ele estava longe demais das capitais e perto do caos. Se sentia como enfermeiras em filmes de guerrra e violinos em canções de amor. Sabia que jamais seria nada, mas tinha todos os sonhos do mundo. E a eterna maldição de ser um clichê sobre duas pernas e algumas faturas de cartões de crédito. Exercendo o seu gênero social,obviamente. Andava pelas ruas da saída perdido nas imensidões das multidões procurando em cada moinho seus dragões. E nunca encontrava. Ele só sabia de uma coisa. Ele era imortal. Longe de todas as revoluções perdidas e apertado pela saudade de um passado que jamais iria viver, sem sentido ou direção alguma, e completamente sem graça, foi gastar seu salário no primeiro cabaré que encontrou.

Carrega em seus olhos a completa miséria e a desgraça com a vida. A fome de uma comida que nunca faltou, a emoção de uma batalha que nunca lutou e a maldição de ser um poeta de rimas pobres. As putas todas felizes, assim como o mais feliz dos homens completamente infeliz. E na máquina de música, com dois reais ele pode escolher o que tocar. E a sua vida era um filme, ele era imortal. Cada respiração era uma tomada do maior sucesso de todos os tempos da próxima semana. Cada passo era aquele velho clichê de livros nunca lidos. Ele era imortal.


Com umas poucas moedas podia escolhar a banda para tocar. Mas não sabia no filme da eternidade de sua vida o que estava destinado a tocar. Uma marcha fúnebre talvez, uma vez que a morte é a única certeza de nosso vida. Ou mesmo um sucesso de algum filme romântico no país daqueles que ama maís, daonde saem todas as histórias de amor. Uma música enérgica e marcial para todas as batalhas de um futuro hipotético, do eterno exército de um homem só que iria revolucionar por amor todas as causas perdidas.
Ou a única eternidade em sua vida até o presente, que sempre viveu para o futuro. A derrota. Uma grande tristeza sentida em notas musicais sem sentido algum e sem saber o que fazer nesse mundo, sem sentido. Medíocre em todos os sentidos, e amaldiçoado a escrever palavras esdrúxulas,por um maldito polegar opositor e meia dúzia de neurônios que o fazia se achar melhor do que os outros animar. A música dos perdedores.


Mesmo que na máquina do cabaré de sua noite que nunca acabará, mesmo que congelem todos os gritos apaixonados de gol, a música eterna, a favorita de todas as bandas do imortal será a derrota. O som dos perdedores. A unica constante em nossa vida é que um dia errarremos. Vivemos então,tentando acertar.


Mesmo que toque bossa nova,samba ou rock and roll, patrocinado por uma nota de dois reais suja de um trabalho caipira,a favorita de todas as bandas do imortal será a derrota. E ele será um eterno perdedor. Porém, imortal.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Café com leite

Ontem , estava eu a aguardar minha amada primeira dama quando resolvi ir à Saraiva. Não que ela (minha patroa) tivesse se atrasado, eu que cheguei antes do horário combinado. Isso não importa. O que interessa é que fui até a renomada livraria.
Entrei, e como não iria comprar nada, tratei logo de achar um bom livro e entreter-me. Peguei um de Veríssimo, o filho, um dos meus preferidos. Orgias, acho. É, o livro. Pareceu-me interessante. Acomodei-me numa daquelas cadeirinhas canelas secas, daquelas de girar que mal suportam o peso do Monta's. Distraído eu com a leitura, daí que surge um velhinho de uns 85 anos e se senta ao meu lado. Simpático que ele só, chapeuzinho, todo pimposo e começa a puxar conversa.
- Você gosta de crônicas? Pergunta o ancião.
- Sim. Jovem bem educado que sou, respondi apenas isso.
- Permita-me relatar-te uma passagem que Chico Anysio me contou pessoalmente?
- Sim, claro. (Devia ser uma boa história, ainda mais vinda de Tio Chico).
- Pois bem. Diz que lá onde Judas perdeu as botinas, no Ceará ou no Pernambuco, naquelas bandas que se tu gritar "Raimundo Nonato" todo mundo sai na janela, tinha um coronel, daqueles típicos pais de moça pura e casta, que apesar da aparência, era um fanfarrão. Era um grande brincalhão, como o Léo diz. Numa daquelas festas de interior que se deu o fato. Esse Coronel, Coronel Leno, o sujeito, conta a um compadre:
- Compadre Jaciel, o senhor admira que eu tenho um gato, de nome Maradona, que minha empregada Reinalva coloca o café e o leite na cumbuca e ele vai lá e toma só o leite e deixa o café na cuia?
- Rá, mas o que é isso compadre. Com todo o respeito, mas eu não sou bobo não. De bobo só tenho a cara e o andado. Essa eu pago pra ver.
- Paga mesmo? Quanto?
- Casamos 500 pratas, Coronel.
- Feito, Compadre. Dispõe-se a ver isso agora mesmo?
- Sim, sim.
E vão os dois à casa do Coronel, ver o tal gato Maradona que separa o leite do café. E ordena o Coronel:
- Reinalva, põe o leite com café do Maradona na cuia que o compadre aqui quer ver.
Reinalva era uma gordona, quase igual o Maradona (o jogador, não o gato), negra, uma Tia Nastácia.
- O leite e o café estão na tigela já, patrão. Pode chamar o bichano.
- Maradona, Maradona, vem cá, vem.
E aparece o tal gato, mais feio que coice nas partes, separar o leite do café. O senhor que está lendo isso aqui, vai espantar-se, mas não é de ver que o gato bebeu o leite e deixou o café? Os grãos de café!
Quando o compadre Jaciel iria reclamar, falar que era nócegagem, o Coronel tratou de tirar a peixeira da cinta, e erguendo-a, disse a Reinalva:
- Reinalva, recolhe o café aí e recebe quinhentinho, que eu vou procurar outro goiano pra cair nessa.
E o simpático velho da Saraiva (lembra-se dele?) riu e foi-se embora. Malandro o velho. Por hoje é só. Semana que vem volto ao normal, com dicas e tudo mais. Neta. Muito. Forte abraço e até a próxima "Segunda na Terça". Rá!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Premiata Forneria Marconi - "Storia di Un Minuto"


Pra quem tem a Itália somente como a terra da pizza, eis aqui uma novidade: há muito mais coisas vindas de dentro daqueles fornos do que se imagina. Iguarias ímpares, que exigem um paladar refinado e degustação minuciosa. Quem aprecia isso tudo tem que conferir os pratos dos “chefs” do Premiata Forneria Marconi, em especial, a receita que enche de saliva a boca de qualquer amante da cozinha italiana, “Storia di Um Minuto”.

Deixando de lado as alegorias culinárias, meu intento de hoje é compartilhar com vocês, amigos internautas, essa maravilha, trazida a nós diretamente de Milão, Itália. Trata-se, realmente, de um dos baluartes do Rock Progressivo do país e do mundo – sim, a Itália foi um grande celeiro do movimento na década de 70 – sendo extremamente respeitada e admirada.

O disco, lançado em – adivinha? – 1972, possui delicadeza melódica e harmônica raramente apresentadas por bandas vindas daquelas bandas – com o perdão do trocadilho – e beleza encantadora, além dos arranjos requintadíssimos e de extremo bom gosto.

“Introduzione” já dá, nos seus 01min10seg de duração, uma amostra do que está por vir. Apesar de ser uma faixa introdutória de tão curto fôlego, trata-se de um belo momento do álbum, apresentando dinâmica e variação rítmica.

Reverenciada e aplaudida de pé por todo fã que se preze, “Impressioni di Settembre” é um dos clássicos absolutos do conjunto, ocupando, sem sombra de dúvidas, posição de grande destaque na obra. Possui melodia e arranjos delicados e belos, com os vocais singelos de Franco Mussida, até explodir em seu riff de sintetizadores tão conhecido e aclamado. Tal riff, o ponto central da canção, é de uma força extraordinária, ao mesmo tempo doce e raivoso.

Após o término de tão emblemática peça, é hora de dançar ao som da tarantella roqueira “É Festa”, outro clássico obrigatório em qualquer show do Premiata. A faixa é simplesmente – se é que eu posso usar a palavra “simples” quando se trata desse álbum – uma síntese do espírito italiano contido no Prog Rock produzido nesse fértil país. Grande obra, realmente, abundante em quebra de ritmos e melodias animadas, que causarão uma inquietação em suas pernas! Tudo revestido, claro, pelos arranjos excepcionais e a qualidade técnica de cada um dos integrantes da banda.

Depois de tanto quebra-pau, “Dove... Quando... (Parte I)” chega, de mansinho, envolvendo-nos com sua delicadeza e encanto irresistíveis. Sua melodia, violões e flautas, etéreos, transportam-nos diretamente a um vale escuro e incrivelmente belo e acolhedor, oferecendo-nos repouso.

Bem mais agressiva e erudita, “Dove... Quando... (Parte II)”, possui um soberbo trecho tocado ao piano, posteriormente acompanhado por uma banda furiosa e afiadíssima, cheia de sincronias muito bem executadas. A canção transforma-se em um plácido momento executado por um suposto violoncelo, emulado pelos belos sintetizadores que se faziam antigamente. Após esse momento de placidez, somos convidados a apreciar uma passagem bastante jazzística, em que a flauta de Mauro Pagani brinca com os teclados de Flavio Premoli.

Interrompe-se tudo para dar passagem a “La Carrozza di Hans”, outro momento chave da obra. É tão grande o número de clássicos no álbum que o mesmo mais parece uma compilação. Mas é claro que uma coletânea não possuiria tamanha coesão, presente apenas em um álbum tão bem estruturado, formando uma obra realmente equilibrada, em que tudo faz sentido. Merece destaque o violino de Pagani, além do desempenho fenomenal de todo o conjunto, executando complexas sincronias entre todos os instrumentos. É muito interessante observar a habilidade da banda ao reproduzir tais malabarismos sonoros no palco, apresentando um trabalho impecável (conferir o “PFM Live in Japan 2005”, cujo vídeo está disponível em sites como YouTube e Google Video).

Fechando tudo, “Grazie Davvero” dá os agradecimentos finais com sua suave melodia inicial, que explode com um impactante riff – bastante circense, a meu ver – em que a banda utiliza-se de metais. A música segue como um espetáculo de picadeiro, de maneira bem pomposa, voltando, posteriormente, à melodia inicial, a que se juntam os vigorosos metais.

Assim termina essa história de vários minutos sensacionais e inspirados, dignos de uma atenção muito especial e, em conseqüência, grande admiração. Se o Rock, aqui, não pode adquirir o status de arte, então eu não sei o que pode. E tenho dito.

Retornando...

Olá amigos hawaiianos! Após um longo e tenebroso inverno, volto a postar no nosso não menos importante diário virtual. Primeiramente quero agradecer aos nobres amigos correlatos, Yuri Montanini, Plínio Lopes e o mais novo blogueiro e futuro publicitário, Haig, vulgo João Lemmos, por terem dado continuidade às postagens, já que grande parte do seleto grupo de jornalistas(onde me incluo) não mais escrevinharam por aqui. Desde já, peço desculpas. Bem, eu podeira começar 2009 fazendo tour pelas notícias atuais, por exemplo...esportes; Túlio Melancia no Itumbiara? A dieta de Ronaldo? ...ou mundo; Barack Obama? Crise? Faixa de Gaza? Não...não, "prefiro evitar a fadiga" a lá Jaiminho. Começarei publicando um texto que não é de minha autoria. Atendendo também aos poucos, porém valorosos pedidos para uma publicação feminina, aqui está.

"É incrível como nós mulheres gostamos de um espelho! Já tratei disso, bem por alto, em um de meus textos. Nós gostamos de nos ver. Gostamos de ver nossas sensações e sentimentos exteriorizarem. Quando a desilusão, a raiva ou qualquer outro motivo que nos faça chorar é muito grande, vamos pra frente do espelho ver as lágrimas escorrerem. Às vezes rola até um discurso nesse meio tempo aí, um desabafo. E quando pensamos numa coisa muito boa, tipo aquela noite de amor mágica ou aquela ligação que te deixou nas nuvens? Lá vamos nós pensarmos na frente do espelho e fazer aquela cara boba apaixonada. Fora os casos clássicos como decorar discurso, ensaiar fim de namoro, escolher a melhor roupa, etc. Mulher é tudo igual mesmo! Na sua essência e na sua imaginação. Mulher sempre espera ligar, sempre pensa demais, sempre sofre, sempre ama, sempre fica boba e sempre procura o espelho pra consolo, pra discutir, pra desabafar! Até quando liga pra amiga, muitas vezes fala em frente ao espelho!!! Ah! Vai nos entender!
Ahhh me esqueci do caso clássico!!!! As poses eróticas ou sensuais ou de santa, enfim, as caras e bocas que fazemos pra ter certeza de como vai sair na hora em que precisarmos delas! E a jogada de cabelo? (risos). Mas é uma ótima tática. E o melhor é que tem mulher que não assume que faz isso. São aquelas mulheres que se dizem muito práticas, muito sem vaidade. Isso é vantagem? Não vejo assim. Pra mim, isso é mulher que tem medo de ser bonita, medo de ser ousada, que tem medo e só. Mulher que diz não sofrer, que diz não sentir, que diz não se importar com a imagem que tem e que apresenta. Que mulher insossa é essa!!! Pra mim, mulher tem que ser mulher e como eu disse, mulher é sempre mulher e sempre tão mulher! Que independente do que afirmam ser, são sempre iguais umas às outras!"

OBS: A pedidos da autora, a identidade dela não será revelada.

sábado, 17 de janeiro de 2009

As bandas do imortal.

Os heróis de guerra são ingleses. Os meteoros e aliens apenas nos EUA. Samurais apenas no Japão. Ele estava longe demais das capitais e perto do caos. Se sentia como enfermeiras em filmes de guerrra e violinos em canções de amor. Sabia que jamais seria nada, mas tinha todos os sonhos do mundo. E a eterna maldição de ser um clichê sobre duas pernas e algumas faturas de cartões de crédito. Exercendo o seu gênero social,obviamente. Andava pelas ruas da saída perdido nas imensidões das multidões procurando em cada moinho seus dragões. E nunca encontrava. Ele só sabia de uma coisa. Ele era imortal. Longe de todas as revoluções perdidas e apertado pela saudade de um passado que jamais iria viver, sem sentido ou direção alguma, e completamente sem graça, foi gastar seu salário no primeiro cabaré que encontrou.
Carrega em seus olhos a completa miséria e a desgraça com a vida. A fome de uma comida que nunca faltou, a emoção de uma batalha que nunca lutou e a maldição de ser um poeta de rimas pobres. As putas todas felizes, assim como o mais feliz dos homens completamente infeliz. E na máquina de música, com dois reais ele pode escolher o que tocar. E a sua vida era um filme, ele era imortal. Cada respiração era uma tomada do maior sucesso de todos os tempos da próxima semana. Cada passo era aquele velho clichê de livros nunca lidos. Ele era imortal.
Com umas poucas moedas podia escolhar a banda para tocar. Mas não sabia no filme da eternidade de sua vida o que estava destinado a tocar. Uma marcha fúnebre talvez, uma vez que a morte é a única certeza de nosso vida. Ou mesmo um sucesso de algum filme romântico no país daqueles que ama maís, daonde saem todas as histórias de amor. Uma música enérgica e marcial para todas as batalhas de um futuro hipotético, do eterno exército de um homem só que iria revolucionar por amor todas as causas perdidas.
Ou a única eternidade em sua vida até o presente, que sempre viveu para o futuro. A derrota. Uma grande tristeza sentida em notas musicais sem sentido algum e sem saber o que fazer nesse mundo, sem sentido. Medíocre em todos os sentidos, e amaldiçoado a escrever palavras esdrúxulas,por um maldito polegar opositor e meia dúzia de neurônios que o fazia se achar melhor do que os outros animar. A música dos perdedores.
Mesmo que na máquina do cabaré de sua noite que nunca acabará, mesmo que congelem todos os gritos apaixonados de gol, a música eterna, a favorita de todas as bandas do imortal será a derrota. O som dos perdedores. A unica constante em nossa vida é que um dia errarremos. Vivemos então,tentando acertar.
Mesmo que toque bossa nova,samba ou rock and roll, patrocinado por uma nota de dois reais suja de um trabalho caipira,a favorita de todas as bandas do imortal será a derrota. E ele será um eterno perdedor. Porém, imortal.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Previsões, previsões

Nós abrimos para Goiás, o caminho do rádio moderno! Alô, alô, público esportivo brasileiro, uma boa tarde, uma boa tarde especial para você! Espera. Esse não sou eu. Desculpe. E aí, povo? Tudo dentro? Aí sim, esse é o Monta's. Casado, não-fumante, 96 kg.
Semana passada não postei. Nem perceberam, não é mesmo? Problemas com a rede. Mentira. Preguiça mesmo. Era pra eu já ter postado essas previsões. Que previsões? Essas:

• Dunga será demitido da SeleNike;
• Ronaldo terá problemas com o peso, os músculos e os joelhos;
• O BBB 9 baterá todos os recordes de audiência, e será vencido por um homem;
• Felipe Massa campeão da Fórmula 1;
• Itumbiara elimina o Corinthians na Copa do Brasil;
• Santos, Goiás e Atlético-MG eliminam Flamengo, Internacional e Fluminense;
• Wando retorna ao Vila Nova, que conquista o acesso;
• Dragão goleia o Vasco em pleno São Januário, mas não consegue subir;
• Jovanotti faz show no Rio de Janeiro.

Bom, agora às previsões que dizem respeito aos nobres companheiros aqui do blog:

• Haig deixa o cabelo crescer;
• Plínio começa um relacionamento com uma jovem senhora de 28 anos;
• Pablito faz finalmente a sua tatuagem;
• Gordinho esquece a Ponte Preta e conhece uma gordinha incrível;
• Rorrô e Ursinha terminarão 2009 juntos;
• Valdívia começa a namorar uma são-paulina;
• Jardel começa a namorar uma vilanovense;
• Nenhum deles vai pegar a Juliana Paes;
• Pra encerrar bem o ano de 2009, teremos uma cerimônia religiosa, o casamento do Mané Leão com a senhora DZ.

Bom, deixemos de firulas. Por hoje é só. Neta. Muito. Forte abraço e até a próxima "Segunda na Terça". Rá!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009


Hoje eu resolvi valorizar o produto nacional. Nada de bandas gringas setentistas, mas sim, um grupo brazuca que gravou, já na segunda metade da década de 90, um dos álbuns mais importantes e representativos da minha vida: os Titãs. O álbum é o Acústico MTV. Já vou avisando aos amados leitores que esta resenha trará consigo alto grau de romantismo e pessoalidade, mas, podem ter certeza, muita honestidade também.

Em minha opinião, a série Acústico MTV, uma verdadeira máquina de hits e grana, nunca produziu uma obra de tamanha qualidade e distinção – isto é, em âmbito nacional. Eu me lembro de sempre dizer: “nem os Engenheiros do Hawaii fariam um acústico tão bom”. Dito e feito. Ao contrário do popzinho 4/4 do acústico da banda gaúcha, os Titãs realmente produziram algo fino, acompanhados por uma equipe de peso, contando com arranjos fabulosos e produção esmerada. Aliás, com Marcelo Martins, Jacques Morelembaum – ex-A Barca do Sol – e Liminha – ex-Mutantes – por trás dos arranjos é covardia, né?!

O show causou grande curiosidade entre os fãs e os diversos músicos e outros artistas brasileiros. Afinal, os Titãs eram sinônimo de barulho e irreverência, sendo difícil imagina-los em banquinhos de madeira, dedilhando violões. Aliás, “violões” não era uma palavra nada comum no vocabulário da banda, que sempre teve preferência pelas guitarras destorcidas.

Como o disco possui 22 faixas, não discorrerei longamente sobre os detalhes de cada canção, dando apenas uma visão panorâmica do disco. É claro que as melhores canções merecem maior destaque.

O disco começa muito bem com “Comida”, revestida com um arranjo que, a meu ver, foi puxado do Ray Charles. Fito Paez faz sua contribuição em “Go Back”, outro excelente momento do álbum. Em canções como “Os Cegos do Castelo”; “Nem 5 Minutos Guardados”, uma das mais belas do set list; “Flores”, com participação de Marisa Monte; “Palavras”; “A Melhor Forma”; e “Não Vou Lutar”, a mini-orquestra adiciona às belas melodias um requinte simplesmente irresistível. O bom gosto e a delicadeza dos arranjos de metais, madeiras e, principalmente, cordas, são de arrepiar. São grandes o prazer e a nostalgia que sinto ao escutar tais canções, que foram trilha sonora de uma maravilhosa fase da minha vida.

Merecem menção também a mórbida “O Pulso”, com os vocais do titã desertor Arnaldo Antunes; a descontraída “Família”; “Marvin” e toda sua melancolia; e “Televisão”, um divertidíssimo Blues em que Rita Lee acompanha os marmanjos.

Nem tudo, porém, são flores. Com todo o respeito a Jimmy Cliff, “Querem Meu Sangue” não me é muito agradável aos ouvidos, assim como “Homem Primata” – talvez devido à minha implicância com o Ska. Esses tropeços – digo, tropeços na minha humilde opinião, é claro – não comprometem em nada o álbum, que contém infinitamente mais pontos positivos que negativos.

Como é de praxe, aqui vão minhas considerações sobre o visual do disco. Os tons de marrom dão um caráter rústico de muito bom gosto ao álbum, provocando uma sensação gostosa. Eu, particularmente, sou fã de cores escuras e frias, presentes tanto no encarte do CD quanto no cenário do show. E que cenário! Teatralidade e drama estão contidos nos prédios e nuvens colocados ao fundo do palco, dando o clima sob medida ao espetáculo. Aliás, tudo aqui foi feito na medida certa. A MTV, dessa vez, acertou na mosca... E os Titãs também, é claro!

sábado, 10 de janeiro de 2009

Tantas velas
Tantos mundos
Tantas vidas
Tantas novelas

Tantos amores
Tanta gente
Tantos bolos e muitas velas
Algumas guerras,
Alguns horrores
Muitos mortos e não sei quantas flores.

Que venha mais um ano
Que acendam mais uma vela
Nesse grande bolo que é a vida
Acendam mais um ano
Comecem mais uma novela
Mais amigos
Mais gos
Mais mulheres
Mais incalculáveis perigos.

Acendam a vela,e que venha o calor
Pois a chama da minha existência está há muito acesa
Acenda a vida
E que venha ela!
Sempre tão linda e invariavelmente bela

Que venha o fogo
Que venha o calor
Que venham os dias
Que venha o amor

Bom dia utopia
Venha então o meu ser
Bom dia ao meu caráter
Nem sempre tão bom
Nem sempre tão agradável
AO que é utópica
Em uma vida que se faz vulnerável
Venha o meu ser
Minha existência detestável

Que venha a vida
Que venha o carnaval e o amor
A vossa fantasia
Sem um pouco dela
Do que é feito num bolo nossa vela?
Senão a saudação de uma vida vazia
Cheia de dor?

Saudosa fantasia
Que esbanja alegria
Que brilha no escuro
Que esconde tanta melancolia

Lá vem ela
A música
Fonte de tanta harmonia
Infesta o meu ser de alegria
E tu,que semeias alguns versos e sentimentos
Acorda o meu ser e os meus descontentamentos
Minha tão cara poesia.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Temas Universais.

Quem nunca teve um amor mal sucedido que tudo que você queria era encontrálo na fila do supermercado e esperar apenas educação, merecedoras da casualidade do encontro?

Jesus é o maior best seller da história do ocidente porque? Por que ele veio para os fracos. E todos são fracos.
[ O que é mais fácil? Ser o maradona e cheirar todas? Ou ser o kaká? A nossa sociedade passa por uma distorção de valores em que exaltamos o pecado.E viver assim é um absurdo( como um outro qualquer;como tentar o suicídio ou amar uma mulher ). A nossa carne é fraca. E na tentativa de justificar a nossa mediocridade e incapacidade de sermos melhores do que os vícios banais, exaltamos num festival midiático figuras como maradona, e todos os nossos heróis morrem de overdose. Enquanto o kaká, é um otário. Mas eu digo, nessa sociedade pecado e perdida, kaká é o verdadeiro herói e ídolo.]

Pensem em todos os nosso ícones? Todos se dirigem a única certeza do caráter humano: O erro! A única certeza que temos em nossa passagem pelo mundo é que sempre erraremos e a imperfeição será constante. E qualquer arte que busque a perfeição, será eternamente em vão.

Por isso as letras de Gessinger são tão atraentes. São temas absolutamente universais,desde que se tenha sensibilidade o bastante para absorvê-los. Quem nunca falou algo sem pensar e depois se arrependeu,roendo as unhas? Quem nunca teve um amor perdido,e depois desvirtuou-se totalmente do que se era ao apaixonar, e queria no fundo,simplesmente pedir desculpas por ter se tornado tão mal ( por ter vendido a alma ao diabo? )

Essa é para mim a grande graça de Kafka. Eu sei que é muita presunção para mim comentar kafka, mas ao meu ver o seu brilhantismo e singularidade se encontram no universalismo de sua obra. Certa vez eu tinha 12 anos de idade,cantava na igreja e fazia devocional todos os dias na escola.E sem que eu percebesse, acordei com hormônios e quando percebi era um estranho. Era uma barata. Eu era gregor Samsa.

Os temas universais sempre serão a maior banda de todos os tempos da última semana.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Viva!

Olá, amáveis senhoritas e nobres companheiros, assíduos leitores do Jornalistas do Hawaii. Tudo bem com vocês? Um sujeito aí, amigo meu o infeliz, cobrou-me pelo fato de eu não ter desejado Feliz Natal na postagem da semana passada. Desculpe. Atrasado vale? Que o homem do saco vermelho possa penetrar profundamente no buraco de sua chaminé, trazendo um peru bem grande e bolas para comemorar. Que a pomba branca da paz penetre em seu interior e te rasgue de alegria e felicidade. Satisfeito?
Finalmente, finalmente, último post meu do ano. Eita. Nem sei o que escrever. Vejamos, serei breve hoje. Vamos às dicas, e já me despeço. Bebida: Acho que falei dela em minha primeira participação nesse blog: Cerveja Czechvar. 5% álcool, o exemplo de como uma boa pilsen deve ser. A cor é dourada, com espumatização adequada, até quando gelada. O colarinho é facilmente formado com cremosidade. O aroma é autolítico, de pão e fermento, como deve ser uma pilsen. E, à boca, um paladar persistente e com um bom corpo. Moda: Tenha o seu estilo, a sua marca. Se te der na idéia de usar camisa rosa choque e tênis baixo, use! Que se lasque a opinião alheia! Música: Ouça o melhor disco dos Engenheiros, quer dizer, o que eu acho melhor: O Papa é Pop, 1990.
Por fim, os meus votos de Feliz Ano Novo. Nesses dias, todo mundo te desejará Paz, Saúde, Prosperidade, Amor... Isso é bom, claro! Mas eu te desejo com toda a força que você realmente viva! Viva intensamente, fazendo o que te deixa feliz! Arrisque, viva, caia, levante! Bom 2009 para nós. No mais, sem mais. Neta. Forte abraço e até a próxima "Segunda na Terça". Rá.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Status Quo - "Quo"


Cabelo, jeans, e heavy blues. Esse é o trinômio que define o grupo de rock inglês Status Quo. A banda, que começou nos anos 60 tocando pop psicodélico – aquele típico da segunda metade de tal década – se revoltou contra essa sonoridade e as imposições da gravadora, partindo para o rockão seco e baseado no blues que a consagrou. E então, devidamente cabeludos e enjaquetados, lançaram alguns discos clássicos muito admirados pelos dinossauros do rock mundo afora.

É um disco esquecido, porém, o alvo da minha resenha de hoje. Não sei se devo me referir a ele como esquecido ou como subestimado, na verdade. E nem sei se minha admiração por ele dá-se mais por uma nostalgia muito pessoal que pela qualidade do álbum em si. Trata-se, enfim, do “Quo”, de 1974.

Conheci o LP no comecinho da minha pré-adolescência, no saudoso ano 2000, se não me engano. Aconteceu que, quando meus avós resolveram mandar o toca discos pro conserto, a família se reuniu para tirar a poeira dos antigos bolachões, relembrando a infância ainda contida naqueles sulcos furados. Entre célebres discos do Carequinha, Arca de Noé, e afins, encontrava-se uma peça um tanto diferenciada: um álbum que trazia em sua capa uma árvore psicodélica, cujo tronco dava origem às cabeças de quatro sujeitos cabeludos. As raízes da árvore formavam, em uma tonalidade cinzenta, a palavra “Quo”. “Esse é pauleira”, comentou meu tio, atiçando, é claro minha curiosidade. O riff introdutório não me soou pauleira o bastante e, após alguns minutos, passamos para o próximo disco.

Foi na manhã seguinte, porém, que recolocando a agulha sobre o castigado vinil, aquele som me bateu forte aos ouvidos, e eu sucumbi, profundamente, ao som das terças e quintas daqueles acordes de rock n` roll. Aquele som me preencheu e me satisfez de forma espetacular. Foi um daqueles momentos em que se redescobre o rock. “É isso que eu vou tocar quando eu tiver uma banda”, pensei. E fui pra casa, obstinado em comprar aquele álbum em CD, tarefa que só consegui cumprir em 2007, na Galeria do Rock – e com muito suor.

O “Quo” é, na verdade, resultado de um período conturbado na história da banda, em que o baixista Alan Lancaster e o guitarrista Rick Parfitt confrontaram os principais compositores da turma, Francis Rossi e Bob Young, tomando, então, as rédeas do novo álbum e compondo 5 das 8 faixas contidas no mesmo, sendo que uma das 8, “Break the Rules”, é uma composição de todos os membros da banda. Tal mudança permitiu um novo sabor à sonoridade do conjunto, resultando em um fantástico disco de honesto rock n`roll. Essa mudança talvez seja o motivo da indiferença da maioria dos admiradores do Status Quo em relação ao disco. Por outro lado, é essa sonoridade que me laçou irremediavelmente quase uma década atrás.

O disco começa com a sensacional “Backwater”, talvez minha preferida de todo o repertório do grupo, e seu especialíssimo riff de abertura, desembocando nos velhos e tão conhecidos acordes de rock. A bateria e o baixo martelam forte, aumentando a potencia e a virilidade sonora do trecho. Sem pedir licença, uma passagem plácida e reconfortante é executada, ganhando força e volume até explodir, novamente, em um rock n` roll enérgico. Os vocais encaixam-se perfeitamente ao restante da obra, coroando esse espetacular e delicioso som.

“Just Take Me” emenda-se na faixa anterior, abrindo com uma sessão de percussão muito gostosa. A música possui melodia agressiva e um solo de guitarra sensacional, acompanhado apenas pela percussão e, depois, por uma guitarra base muito ritmada e picada. Que espetáculo!

A próxima canção, “Break the Rules”, transporta-nos a uma espelunca em um lugar qualquer na Inglaterra. A faixa é pura fanfarronice, com aquele pianinho que sempre vai muito bem, obrigado, quando o assunto é rock n` roll, sem falar da gaita, que arremata toda a farra sonora.

“Drifting Away” e seu riff infernal fecham em grande estilo o lado A do LP. Os vocais, mais uma vez, são sensacionais.

Vire o disco e prepare-se, pois este guarda uma agradabilíssima surpresa logo de início: a visceral “Don`t Think It Matters”. Mais um espetacular riff de guitarra para a coleção do álbum. Tal riff caberia perfeitamente em qualquer disco do Sabbath ou qualquer grande banda de hard rock – quase heavy metal – da década de 70. Eu realmente não entendo como uma música assim pode ser negligenciada pelos fãs da banda... que lástima. De qualquer maneira, uma faixa que consegue se destacar num álbum de tanta qualidade só pode ser uma baita musica.

“Fine, Fine, Fine”, a mais fraca do disco, ironicamente é uma das únicas feitas pelos compositores veteranos da banda, Rossi e Young.

Que pérola é “Lonely Man”! A única balada do álbum possui enorme força e beleza, tendo como base um delicioso violão, acompanhado, mais adiante, pelos outros instrumentos. A musica possui bela melodia e um solo de guitarra poderoso. Outro ponto de destaque da obra!

O disco termina com outra composição da dupla Rossi e Young, “Slow Train”, a mais longa do álbum, com 7 minutos e 54 segundos de duração. A faixa, como era de se esperar, tem mais a ver com a sonoridade usual do Status Quo – digo, a sonoridade da banda fora desse disco peculiar – com um rock ainda mais vintage. Com todo o respeito aos dois músicos, que já tomaram frente de fabulosos álbuns, como o bem mais aclamado “Piledriver”, “Slow Train” também não está entre minhas favoritas do disco. É, ainda sim, um rock responsa e de qualidade.

E a capa... Pô, esta fala por si só!!!


Haig Berberian

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal.

Um dia diferente e especial para postar, véspera de natal. O assunto ta curto tanto quanto a programação da TV o jeito é falar sobre o natal, todos aguardando ansiosamente pela ceia e para abrir os presentes se é que ganharam ou ganharão presentes. Muitos degustaram algum dos vinhos indicados pelo Monta’s, outros vão de cerveja mesmo. Natal data que celebra o nascimento de Jesus. Os cristãos em sua maioria respeitam muito essa data e a celebram em família, já outros o consideram como mais um feriado no calendário, um dia a mais para sair e festejar de outras maneiras. Visto de outra visão o Natal pode ser considerado por alguns uma influência Norte-Americana nas demais culturas, pelos tipos de árvores e enfeites utilizados para decorar as casas, muitos ainda dizem que a cor vermelha utilizada pelo Papai Noel é coisa de uma tal marca de refrigerantes que estará na mesa de muitos. Bom cada um tem sua opinião e pensam da maneira que quiser. Logo o que importa é se sentir bem nesse dia, pois seja uma festa religiosa, apenas mais um feriado ou uma influência Norte-America, o Natal sensibiliza as pessoas a ajudar outros que necessitem. Feliz Natal e Paz para todos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Obrigado, obrigado!

Salve companheiras queridas e nobres usuários do blog heterossexual mais versátil da blogosfera goianiense. Faço minhas as palavras do Gil. Vale tudo, só não vale... Deixa quieto. Versatilidade é mato. Penúltimo post meu do ano. Ui. O ano já chega ao fim e a nossa vidinha medíocre e sem sal de sempre parece não ter mudado muita coisa. Aliás, mudou sim. O ano, em si, valeu o ingresso e as duas latinhas.
Titia Dercy faleceu em 2008... Fiquei comovido. Mas, convenhamos, já estava na hora. E, não fiquemos tristes, ela já regressou, já está novamente entre nós. Está na pele da menina monstro do SBT. Lembra do Alexandre Nardoni? É, aquela mistura, fisicamente falando, do Mascherano e Valdívia? Pois é. Foi espetacular ver aquele mala ser preso e Cabañas metendo gol no Flamengo no mesmo dia. Delícia. Flamengo que só me deu alegrias nesse ano. Levou ripa na Libertadores e não conseguiu chegar entre os quatro no Brasileirão... Ah, como é bom ver o Flamengo se ferrar. Gol do América.
Caso Eloá. Sabe o que ela mudou na minha vida? O mesmo que na sua. Porcaria nenhuma. Isso mesmo. Não sejamos hipócritas. No dia em que ela faleceu, abri meu msn, tinha umas 17 pessoas com a frase “Luto Eloá”. Putz. Você conhecia ela? Não? Rá. Dercy, Nardoni, Eloá... papo besta, não? Mudemos de assunto. Quer dicas?
Ótima dica pra você que vai passar o Natal sozinho: Descasque um limão e o parta em quatro; jogue as quatro partes em um copo; cubra o limão com açúcar. Logo após esmague o fruto misturando com o açúcar. Encha o copo com gelo e complete com Velho Barreiro. Não existe festa sem graça, nem poeta sem cachaça! Beba, beba muito. Mas só se estiver sozinho. Dica de moda: não vomite em sua própria camisa. Chame o Raul, o Hugo e o Juca no Gordinho. No mais, Matanza!

Eu me despeço de todos vocês
Muitos aqui não verei outra vez
Fora o inverno e o tempo ruim
Eu não sei o que espera por mim
Mas pouco importa o que venha a ser
Se eu tiver um dia a quem dizer

Quero que a estrada venha sempre até você
E que o vento esteja sempre a seu favor
Quero que haja sempre uma cerveja em sua mão
E que esteja ao seu lado, seu grande amor.

Chega. Na verdade, eu queria mesmo é agradecer. Aos que fizeram meu ano valer. Obrigado, obrigado. Neta. Forte abraço e até a próxima "Segunda na Terça". Rá.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Yes - "Close to the Edge"


Assim como Machado de Assis está para o Realismo; Picasso, para o Cubismo; Bach, para o Barroco; está o Yes para o Rock Progressivo. Assim como todo gênio – ou, no caso, grupo de geniais músicos -, a banda também possui sua magnum opus, e seu nome é “Close to the Edge”. Talvez a hermética concha que é o movimento Progressivo nunca tenha produzido uma pérola de tamanha perfeição, tão equilibrada, tão bela. A imaginação e magia contidas nessa obra são impressionantes, justificando o amor dispensado a ela por tantos proggers mundo afora.

Sinceramente, acho que o ano de 1972 tinha algo diferente em sua atmosfera, alguma substancia no ar – não; não me refiro à maconha ou a nenhuma outra substância ilícita, pois estas já estavam presentes antes e continuam presentes hoje. Obras fantásticas encontraram solo fértil naqueles 365 dias para poderem florecer, e com estes cinco rapazes ingleses não foi diferente. Aqui, Jon Anderson, Rick Wakeman, Steve Howe, Chris Squire e Bill Bruford realmente se superaram, produzindo a obra que serviu de referência para diversos outros artistas da época e dos atuais dias. O Yes, com certeza, foi uma das bandas mais influentes do movimento Progressivo, e suas características estão concentradas no álbum em questão.

Já devo avisar que o álbum soará bastante estranho a ouvidos desacostumados, regra que vale para a maioria das obras Progressivas, mas, ainda assim, vale experimentar. O disco tem uma outra característica muito comum em álbuns do gênero e que causa estranhamento aos ouvintes iniciantes: a pouca quantidade de músicas que, em compensação, são obras de longo fôlego. A faixa título possui 18 minutos e 37 segundos; a segunda faixa, 10 minutos e 09 segundos; e a terceira e última faixa, 8 minutos e 57 segundos.

Vamos à análise. O álbum, produzido por Eddie Offord juntamente com a banda, inicia-se com a faixa que talvez possa ostentar o título de melhor suíte Progressiva de todos os tempos, a magnífica “Close to the Edge”. Sua introdução peculiar soará como um caminhão cuja carroceria está cheia de instrumentos musicais se colidindo – como já li uma vez – para marinheiros de primeira viagem, mas trata-se na verdade de um trecho de grande complexidade sonora, passando depois para o tema principal da canção. O baixo de Squire mostra-se inquieto e soberbo, sempre com seu estilo inconfundível. As melodias excepcionais transportam-nos diretamente para o interior de uma floresta verde e úmida, passando por riachos e pássaros cantantes – como na introdução. A guitarra de Howe também exerce papel de grande importância, juntamente com a voz cristalina de Anderson, os teclados virtuosos de Wakeman e a bateria quebrada de Bruford. Que deleite! Após um trecho inspiradíssimo e bastante erudito, um momento delicioso nos espera. É a sessão “I Get Up, I Get Down”, ainda parte da suíte. Esse fragmento da faixa é de beleza e doçura ímpares, como se fosse parte de um sonho; um daqueles que te dão saudades de um mundo mágico em que você nunca esteve. Me desculpem o excesso de comparações absurdas, mas não posso evitar, devido à forte impressão que a obra causa neste humilde escriba. O arranjo vocal é sublime, executado por Anderson, Squire e Howe. A canção segue com um momento de virtuosismo tecladístico de Rick Wakeman, com seu estilo Rococó sintético. A obra caminha para seus momentos finais, em que se executa o tema principal com arranjos diferentes. Fabuloso!

A segunda faixa, “And You And I”, outro clássico absoluto da banda, é outra viagem pelas paisagens naturais de um mundo verde e virgem. É como estar em uma canoa, em um rio calmo, tendo sua bela dama como única companhia. Será que Tolkien escutava Yes?!? A música possui uma originalíssima melodia, apoiada sob as cordas de Howe, possuindo, porém, inúmeras mudanças de tempo e instrumentos, tornando a análise bastante complicada. Em resumo, é o momento mais romântico do disco, podendo, para alguns, soar até um pouco meloso. Mesmo assim, é uma obra digna do álbum em que está inserida.

O álbum fecha com a mais agressiva “Siberian Khatru” – e nem adianta procurar pela palavra “khatru” no dicionário. A faixa possui um caráter meio jurássico, contrastando com a placidez das duas canções anteriores. A linha de baixo, como sempre, é genial, assim como todos os músicos e a voz de Anderson. Trata-se, realmente, de um álbum fora de série.

Tudo isso é embalado pela capa de Roger Dean, brilhante artista responsável por praticamente todas as capas do Yes e de vários outros conjuntos da época. É nesse disco em que aparece pela primeira vez o logotipo clássico da banda. Apesar de não possuir a elaboração usual das capas do desenhista, o design casa-se perfeitamente com a sonoridade do álbum, colorindo-o com o verde bucólico que as músicas sugerem.

Inigualável.


João Lemmos

sábado, 20 de dezembro de 2008

Nanoconto

A guerra.


Podia ver seus olhos tristes através das lentes da câmera, a dor da guerra. O sangue que escorria pelos ladrilhos das casas destruídas pelos bombardeios. A sirene que alerta um novo ataque e que faz acelerar o coração triste, com medo e que não sabe mais definir a dor, graças as proporções que ela tomou. A guerra, os cantos são das balas cortando o vento e do som agonizante de um prisioneiro que tenta respirar após ter a garganta cortada pelo soldado inimigo. E a poesia escorreu junto com o sangue. E o sangue não é poético, nem heróico. O sangue não passava de um fluído que escorria de um cadáver no chão e só. E a guerra foi sem sentido. Foi se sentido. Os soldados sentiram o baque de uma bala na testa em nome de um país, em nome de um governo, em nome de um capricho! Isso vi através de seus olhos, olhos vivos em expressão de um corpo morto na calçada.

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